InícioOpinião'Papagaiada' e hipocrisia eleitoral - 09/07/2026 - Opinião

‘Papagaiada’ e hipocrisia eleitoral – 09/07/2026 – Opinião

Publicado em

spot_img

Em seus arroubos retóricos diários, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) já mostrou mais de uma vez seu desdém pelas restrições legais a atos de campanha eleitoral fora dos prazos fixados.

Ainda no distante 2006, quando se preparava para buscar a reeleição pela primeira vez e era questionado por suas viagens em série pelo país, disse que um homem público faz campanha “da hora em que acorda à hora em que dorme, 365 dias por ano”.

Bem mais recentemente, na semana passada, qualificou de “papagaiada desgraçada” a norma que proíbe candidatos de comparecer a inaugurações de obras públicas nos três meses que precedem o pleito —vale dizer, o artigo 77 da lei 9.504, de 1997.

Não se pode negar que há base empírica no deboche de Lula, já calejado por seis disputas presidenciais e rumo à sétima —sem contar a de 2018, quando foi barrado por estar condenado e preso. Há, de fato, um tanto de detalhismo, paternalismo e irrealismo na legislação eleitoral brasileira, que, não por acaso, ora é driblada com desenvoltura, ora gera punições controversas.

Pelo sim, pelo não, o petista deixa as bravatas para os discursos e trata de se precaver nos atos de governo. Como noticiou a Folha, o Palácio do Planalto passou a monitorar com maior rigor as manifestações de autoridades e encarregou a Advocacia-Geral da União (AGU) de verificar o teor de postagens de ministros em redes sociais envolvendo o presidente.

Até anúncios e reportagens antigas foram retirados de páginas digitais de pastas e da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), estatal de mídia que não é reconhecida pela audiência nem pela independência editorial.

Ao que parece, as nuances da legislação serão exploradas com frequência inaudita neste ano. Levantamentos preliminares indicam que o PT e o PL, de Flávio Bolsonaro, já entupiram o Tribunal Superior Eleitoral de representações no primeiro semestre.

A judicialização se faz acompanhar da hipocrisia. Afinal, pode-se questionar tanto a presença de Lula num desfile de escola de samba em sua homenagem, no mês de fevereiro, quanto a de Flávio em ato na avenida Paulista contra o governo e o Supremo Tribunal Federal (STF), em 1º de março.

Os dois políticos têm pretensões óbvias, e todos os seus atos miram o mesmo objetivo —Lula, com a máquina federal na mão, pode mobilizar muito mais recursos e políticas públicas, como o pai de Flávio fez à farta em 2022. No entanto ainda são apenas pré-candidatos e não podem pedir votos abertamente. A propaganda eleitoral só começa oficialmente em 16 de agosto.

A lei pode ser revista em prol de mais flexibilidade e realismo, além de novas questões, como o uso da inteligência artificial para exaltar uns e caluniar outros. Isso não exime candidatos, pré-candidatos ou protocandidatos de agir com autocontenção e respeito à gestão pública, mesmo porque não se pode ludibriar o eleitor por tempo indeterminado.

editoriais@grupofolha.com.br

Veja a matéria completa aqui!

Últimas Notícias

Veja Também

Bárbara Evans faz homenagem à mãe e põe fim às brigas com a apresentadora – R7 Entretenimento

Bárbara Evans celebrou os 70 anos da mãe, Monique Evans, com uma festa em...

Carrasco do Brasil, Haaland comemora gols ao estilo Ronaldinho

Carrasco da Seleção ao marcar os dois gols da vitória da Noruega...