Redação Tribuna do Norte
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A Igreja de Roma, por mais silenciosos que sejam seus pastores, do Vaticano às aldeias mais distantes, é presa ao rigor dos mais absolutos ritos de discrição. É o seu traço mais forte. É como se fosse um velho dogma que talvez explique o discretíssimo cisma que distanciou os dois grupos da Igreja de Natal. Pelo menos dois sinais reveladores separaram os seguidores do Cardeal Eugênio Sales de Dom Antônio Costa, então Bispo Auxiliar de Dom Nivaldo Monte.
O primeiro ficou muito discretamente demonstrado, embora sem uma só manifestação pública, quando da Concelebração Eucarística Solene do Jubileu de Ouro do Cardeal Eugênio Sales, em 10 de agosto de 1993. Ao invés de fazê-la na Catedral, pela grandeza do instante, o Cardeal do Rio de Janeiro preferiu que fosse celebrada na modesta Capela da Casa da Criança, em Morro Branco. Sem as pompas e circunstâncias solenes que a Igreja sabe fazer muito bem.
É bom não esquecer que Dom Eugênio, à época, era o mais graduado nome do Brasil em Roma. Chegou a maior e mais importante Arquidiocese da América do Sul, ele que foi o Cardeal Primaz, em Salvador. O criador da Campanha da Fraternidade que o Vaticano adotou no resto do mundo; do ousado pioneirismo da alfabetização pelo rádio; e um dos nomes mais determinantes na histórica ação evangelizadora através das Comunidades Eclesiais de Base.
No segundo episódio, fui testemunha e portador. Ao chegar a Natal, véspera da abertura do Congresso Eucarístico com a presença do Papa João Paulo II, fui chamado por Otomar Lopes Cardoso, meu cunhado, irmão de Rejane, a ir à casa do então governador Geraldo Melo para um encontro com Dom Eugênio Sales. Perguntei se sabia o assunto e ouvi que ele precisava fazer chegar a Luiz Maria Alves um documento para ser publicado ainda na edição de O Poti.
A conversa, no terraço de Geraldo, durou alguns minutos. Dom Eugênio retirou da pasta um envelope e passou às minhas mãos. E disse: “Amanhã celebro muito cedo e preciso que Alves receba pela manhã. É o comunicado do Papa João Paulo II. Fui designado para presidir o Congresso até a sua chegada. Está aqui há mais de um mês, mas não foi publicado”. Não citou nomes. Não usou um só adjetivo. Já de pé, completou: “Amanhã ligo para agradecer a Alves”.
Como chegava cedo ao jornal, coloquei o envelope na mesa de Alves e disse à secretária que me informasse da sua chegada. Avisado, fui a Alves e contei a história. No domingo, saiu o fac-símile na primeira página de O Poti, com as armas do Vaticano. Dias depois, do próprio Alves, ouvi a explicação. O Cardeal, na conversa por telefone, disse a Alves: o ofício do Papa chegou com antecedência, mas estava sob o silêncio da gaveta de Dom Costa. Fica o registro.
PALCO
RETRATO – A pesquisa TN/Consult apontou que Allyson tem 34,5%, Álvaro 29% e Cadu 11,2%, e que pode haver o segundo turno. O apoio do PT, nesse caso, pode ser determinante.
PODIUM – Pelo gráfico publicado na Folha de S. Paulo, dos maiores salários, no Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte tem magistrado que recebe um salário mensal de R$ 110 mil.
PERDE- Nesse ranking, o RN perde para Brasília (R$ 495), mas vence o Maranhão (R$ 272), Goiás (R$ 101), Rio de Janeiro (R$ 98), Paraná (R$ 90) e Roraima (R$ 72). Os casos citados.
LEGAL – Para a Folha, ‘Tribunais ignoraram decisão do STF e pagaram salários de R$ 495 mil”, mas as instituições argumentam que é legal e aprovada pelos conselhos da Justiça e MP.
EXEMPLO – A governadora Fátima Bezerra não segue Lula que já pagou emendas deste ano no valor de R$ 32,4 bilhões dos R$ 51,4 bilhões autorizados no orçamento federal para 2026.
BRASIL – Não é à toa que o Brasil parece exótico aos brasilianistas. Pesquisa saída na Folha revela: Lula tem 24% dos seus eleitores na Direita; e Flávio Bolsonaro tem 19% na esquerda.
POESIA – Do poeta mossoroense Reynaldo Bessa, Prêmio Jabuti de 2009, no seu ‘Outros Barulhos”, Kotter, 2019: “Melancolia deveria se chamar / felancolia / para começar com fel”.
DÓI – De Nino, o filósofo melancólico do Beco da Lama, numa conversa que findou atiçando a curiosidade da mesa: “O espeto não dói nos dedos de quem espeta. Dói na carne espetada”.
CAMARIM
HORROR – O RN é notícia na reportagem-denúncia de Veja “O Novo Horror Digital’, sobre a prática hedionda de sacrificar aninais ao vivo para vê-lo sofrer nos estertores. Uma mulher ilustra a citação do Estado com um galo no seu colo. É o fetiche por esmagamento de animais.
BRILHO – O Juiz Cícero Martins, um macaibense sereno e firme, mostra toda sua segurança na sentença que determinou a urgência de um plano de recuperação das contas previdenciárias que já alcançam uma montanha de déficit de R$ 566,7 milhões. Ainda há juízes nesta aldeia.
VISÃO – De Thomas Merton, já com 25 anos recolhido a um mosteiro, no Kentucky, sobre a cultura opressora dos Estados Unidos: “Penso que o mundo americano em 1967 é um mundo de estupidez crassa, hiperestimulada, falsa e enganadora”. E ele não conheceu Donald Trump.
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