InícioOpiniãoSuíços rejeitam xenofobia tresloucada - 17/06/2026 - Opinião

Suíços rejeitam xenofobia tresloucada – 17/06/2026 – Opinião

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A direita radical suíça bem que tentou promover a versão helvética do Brexit, mas, felizmente, fracassou. Por 55% dos votos, o eleitorado nacional rejeitou em consulta popular uma proposta, impulsionada pelo Partido Popular Suíço (SVP), que limitaria a população do país a 10 milhões de habitantes até o ano 2050.

As implicações de uma medida tresloucada assim não seriam triviais. Colocariam a confederação alpina em conflito potencial com a União Europeia, daí o paralelo com o Brexit —e o oportuno apelido de Schwexit (o nome do país, em alemão, é Schweiz).

A Suíça não é membro da UE, mas integra o Espaço Schengen, que prevê livre circulação de pessoas, e é signatária de uma série de acordos com o bloco.

Se a proposta bancada pelo SVP tivesse sido aprovada, à medida que a população se aproximasse dos 10 milhões (são pouco mais de 9 milhões hoje), as autoridades teriam de adotar políticas de controle que fatalmente violariam os compromissos firmados.

Na prática, a Suíça teria de renunciar a esses tratados, que, por força de uma cláusula específica, só podem ser negociados em bloco —por isso a comparação com o Reino Unido, que, após desastrada consulta popular em 2016, decidiu se retirar da UE, com enormes prejuízos econômicos.

Os eleitores helvéticos, contudo, foram mais sábios do que os britânicos. Fizeram as contas e viram o quanto a cooperação econômica com a UE beneficiou o país. Nas últimas duas décadas, a população residente na confederação aumentou em 22%, ante uma média de 5% na UE.

Os novos migrantes incluem quadros europeus altamente qualificados que vieram para trabalhar em setores de ponta como o farmacêutico e o biotecnológico. Hoje, 31% dos habitantes da Suíça não nasceram no país. Dos fundadores de novas empresas suíças, 39% são estrangeiros.

Um estudo da BAK Economics estimou que a revogação dos tratados subtrairia 7,1 pontos percentuais de crescimento do PIB entre 2028 e 2045. Alguns efeitos deletérios, como cortes de investimentos, viriam ainda antes.

Os suíços responderam com maturidade a uma das questões que assolam o mundo desenvolvido. A queda da fecundidade em muitos países ameaça, além da atividade econômica, a viabilidade de sistemas previdenciários e de outros serviços públicos.

A saída é importar trabalhadores. O discurso xenófobo de certa direita, porém, faz com que a solução seja percebida como o maior dos problemas, o que torna politicamente custoso adotá-la.

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