Cada vez mais se fala sobre saúde mental e, com isso, aumentou também o diagnóstico desse tipo de distúrbio. Um dado do estudo Global Burden of Disease publicado pela revista científica The Lancet, mostrou que um bilhão de pessoas no mundo hoje sofrem com doenças mentais, o dobro do que na década de 1990.
Esse foi o tema do “Sinais Vitais – Dr. Kalil Entrevista” deste sábado (04), em que os psiquiatras Camila Magalhães Silveira, do Hospital Sírio Libanês e Guilherme Polanczyk, professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), conversaram com Roberto Kalil. Durante o papo, eles falaram sobre os desafios atuais da saúde emocional.
Jovens estão mais preocupados e meio ambiente é uma das questões
O mesmo estudo da The Lancet mostra que, pela primeira vez, houve um deslocamento da faixa etária mais afetada por ansiedade, depressão e outros problemas do tipo. Agora, os mais jovens é que maioria. “O pico do sofrimento mental está entre pessoas de 15 a 19 anos”, reforça a especialista, que aponta como essa faixa etária é jovem para já começar a sentir-se desse modo.
Dentre os temas que preocupam essa faixa etária, o clima se destaca. Há até um novo fenômeno, apelidade de “ansiedade climática”. Essa ansiedade atinge não só quem sofre diretamente com essas situações, como as vítimas das enchetes no Rio Grande do Sul, mas quem vive fatores sociais relacionados à situação atual, como pessoas que perdem o emprego ou vivem as mudanças de temperatura, como ondas de calor ou frio. “Os adolescentes estão discutindo bastante isso e são uma amostra que mais sofre com a ansiedade desse tema”, finaliza Silveira.
Notícias ruins também se destacam como causa de sofrimento emocional. “Nosso cérebro não distingue o que é uma ameaça real ali, no ambiente onde eu estou, e uma ameaça que não é real. Porque essas imagens e a notícia são muito importantes”, explica. Quando essa ameaça parece constante, se torna um fator de risco para ansiedade, principalmente.
Ele ainda explica que algumas pessoas são mais propensas a serem afetadas por essa repetição: pessoas mais negativas ou mais jovens e que conseguem entender menos como as notícias são distantes ou isoladas, podem se sentir pior.
A conversa também destaca os impactos dessas transformações sobre crianças e adolescentes, abordando o excesso de estímulos, a influência das telas, o medo do futuro e os principais sinais de sofrimento emocional que merecem atenção de pais e educadores.
O “CNN Sinais Vitais – Dr. Kalil Entrevista” será exibido neste sábado, 04 de julho, às 19h30, na CNN Brasil.

