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Saúde emocional ganha espaço em hospitais do Brasil

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A preocupação com a saúde emocional tem ganhado espaço dentro dos hospitais brasileiros. Em meio a um cenário em que ansiedade, medo e insegurança costumam acompanhar processos de internação, instituições de saúde vêm ampliando ações de humanização para tornar a experiência de pacientes, acompanhantes e profissionais menos traumática e mais acolhedora.

A experiência de uma internação hospitalar costuma ser acompanhada por sentimentos como ansiedade, medo, insegurança e isolamento. Para pacientes e familiares, o afastamento da rotina, do trabalho e do convívio social pode gerar impactos emocionais significativos, sobretudo em internações prolongadas.

Diante desse cenário, hospitais têm ampliado investimentos em ações de humanização, incorporando música, atividades culturais e experiências de acolhimento como estratégias complementares para promover o bem-estar emocional dentro das unidades de saúde.

Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que a saúde mental se tornou uma das principais preocupações globais após a pandemia de Covid-19. Em 2022, a entidade apontou um aumento de 25% nos casos de ansiedade e depressão em todo o mundo, reforçando a necessidade de ampliar estratégias de cuidado emocional em diferentes ambientes, inclusive no contexto hospitalar.

Outros estudos também apontam benefícios da música e de intervenções culturais para pacientes em tratamento. Uma revisão publicada pela Cochrane Library identificou que a música pode contribuir para a redução da ansiedade, do estresse e do desconforto durante a hospitalização, além de melhorar a percepção de bem-estar e acolhimento.

No Brasil, a Política Nacional de Humanização do Ministério da Saúde também reconhece a importância do cuidado integral, da escuta qualificada e do acolhimento como componentes fundamentais da assistência.

Nesse contexto, algumas instituições vêm adotando iniciativas voltadas não apenas ao tratamento clínico, mas também à saúde emocional de pacientes, familiares e profissionais.

Recentemente, uma unidade hospitalar em Salvador promoveu uma ação de acolhimento durante o período junino. A iniciativa levou música ao vivo, elementos da cultura nordestina e momentos de integração para pacientes, acompanhantes e colaboradores.

Mais do que celebrar uma das manifestações culturais mais importantes do Nordeste, a proposta buscou amenizar os impactos emocionais da internação e oferecer conforto a pessoas que, por questões de saúde ou de trabalho, permanecem dentro do ambiente hospitalar durante as festividades.

“Acolher o paciente também significa cuidar dos aspectos emocionais que influenciam a experiência da internação. Esse cuidado se estende aos acompanhantes e aos profissionais de saúde, que também vivenciam situações de desgaste e sobrecarga”, afirma Juliana Heller Albuquerque, coordenadora de Recursos Humanos da unidade.

Segundo ela, ações de humanização contribuem para tornar o ambiente hospitalar mais acolhedor e fortalecer vínculos entre pacientes, acompanhantes e colaboradores.

A discussão sobre saúde mental nas instituições de saúde também ganhou força entre os profissionais da área. Levantamentos realizados pela Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) após a pandemia apontaram elevados índices de sofrimento psíquico, ansiedade e esgotamento entre trabalhadores da saúde, reforçando a importância de iniciativas voltadas ao bem-estar das equipes.

Para Andreza Narciza, profissional da área da saúde que atua na unidade desde 2020, ações de acolhimento fazem diferença na rotina de quem trabalha na assistência.

“O hospital acaba sendo nossa segunda casa. Muitos profissionais permanecem de plantão enquanto as cidades estão em festa. Criar esses momentos de acolhimento faz diferença tanto para os colaboradores quanto para os pacientes”, afirmou.

Os impactos emocionais também podem ser observados entre familiares e acompanhantes, especialmente em casos de internações prolongadas. A permanência contínua no ambiente hospitalar, associada à preocupação com o quadro clínico de um ente querido, pode aumentar os níveis de estresse, ansiedade e sofrimento emocional.

A dona de casa Áurea Rita Figueiredo, de 58 anos, acompanha a mãe, de 90 anos, internada há mais de um mês. Ela relata conviver com depressão e afirma que a atividade proporcionou um momento de alívio em meio à rotina da internação.

“Não é fácil passar pelo que estamos vivendo. Principalmente para mim, que tenho depressão. Quando acontece uma surpresa assim, o dia muda. A gente se anima um pouco e consegue esquecer, ainda que por alguns minutos, todos os problemas que cercam a internação”, relata.

Para especialistas em humanização hospitalar, iniciativas de acolhimento não substituem tratamentos médicos ou psicológicos, mas podem atuar como ferramentas complementares de cuidado, reduzindo a sensação de isolamento, fortalecendo vínculos e ampliando a percepção de bem-estar.

Em um ambiente tradicionalmente associado à dor, ao medo e à preocupação, ações voltadas à saúde emocional demonstram que o cuidado integral também passa pelas emoções, pelas relações humanas e pela construção de ambientes mais acolhedores dentro dos hospitais.

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