Pode parecer estranho, mas cientistas descobriram que pode ser mais perigoso cair de patinete do que sofrer uma queda em motos. Segundo um estudo publicado na última quinta-feira (6), os patinetes elétricos na Inglaterra e País de Gales podem estar expostos a um risco maior de lesões cerebrais e em órgãos internos do que os motociclistas e ciclistas. E o capacete pode explicar essa relação perigosa.
Para os pesquisadores da revista Scientific Reports é preciso o aumento da segurança por meio de medidas como: a obrigatoriedade do uso de capacete, limites de velocidade mais rigorosos e melhorias no design e sistemas de travagem mais eficazes. O uso de capacete foi documentado em apenas 5,9% dos usuários de patinetes elétricos, em comparação com 75,7% dos motociclistas e 45,0% dos ciclistas.
Se o dado for avalizado por usuários que usavam o equipamento do sistema de aluguel, menos de 2% usavam capacete no momento da queda. Os patinetes são utilizados em áreas urbanas em todo o mundo, mas os dados confiáveis sobre lesões e riscos são limitados.
Um dos autores do levantamento, David Bodansky, analisou dados do registro nacional de trauma grave entre 2020 e 2022, incluindo 580 usuários de patinetes, 7.027 motociclistas e 7.640 ciclistas, com lesões traumáticas de moderadas a graves em 18 cidades da Inglaterra e do País de Gales. A pesquisa revelou que 87,9% dos usuários de patinetes elétricos eram adultos e apresentaram um risco 3,5 vezes maior de traumatismo cranioencefálico, um risco 1,5 vezes maior de lesão em órgãos internos e um risco 3,2 vezes maior de lesão arterial ou venosa do que os motociclistas.
O estudo foi publicado na revista Nature e pode ser acessado clicando neste link.
Por outro lado, o risco de fratura para usuários adultos de patinetes elétricos foi 20% menor do que para motociclistas e 10% menor do que para ciclistas. Os cientistas sugerem que a falta de capacete pode aumentar o risco de lesões cerebrais entre os usuários de patinetes elétricos, além do design do equipamento aumentar o risco de quedas de cabeça sobre o guidão durante colisões.

Recentemente, a Prefeitura de São Paulo abriu, em maio deste ano, uma consulta pública para receber sugestões e opiniões da população sobre a regulamentação de bicicletas comuns e elétricas, patinetes elétricos e outros equipamentos motorizados na cidade, após voltar a liberar o serviço.
Questões geográficas e de gênero
O contexto socioeconômico desempenha um papel fundamental na segurança no estudo aplicado no Reino Unido: as taxas de colisão são mais elevadas em áreas urbanas desfavorecidas, onde o tráfego é mais denso e as opções de transporte são limitadas. Mas a gravidade das lesões são maiores em bairros mais ricos, possivelmente porque estradas mais largas e velocidades mais altas nessas regiões resultam em impactos de maior energia quando os acidentes ocorrem.
Uma análise adicional de relatos de acidentes com patinetes elétricos revelou que os condutores do sexo masculino apresentavam um risco de colisão 36% menor em comparação com as condutoras do sexo feminino, e que as condutoras tinham 2,1 vezes mais probabilidade de relatar ferimentos graves.

