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Promessa difícil de cumprir – 04/07/2026 – Opinião

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Se for eleito presidente, Flávio Bolsonaro perceberá que o problema de enviar um documento ao governo dos EUA com uma série de promessas é que, mais cedo do que tarde, elas serão cobradas.

Não foram poucas as promessas (ou paths to remediation) que Flávio listou no texto endereçado ao USTR —o Escritório do Representante de Comércio dos EUA— no qual argumenta que o tarifaço beneficia Lula e sugere o adiamento de qualquer medida contra o Brasil para depois das eleições.

Entre elas, uma desperta sensação de déjà vu: libertar o Brasil das “amarras do Mercosul”.

Supondo que, por amarras, o senador esteja se referindo à regra segundo a qual Argentina, Brasil, Uruguai e Paraguai não podem negociar acordos comerciais separadamente, Flávio repete a retórica do início do governo de seu pai, Jair Bolsonaro.

Logo após a vitória bolsonarista em 2018, Paulo Guedes declarou que o Mercosul não era prioridade. Depois, tentou reduzir drasticamente a TEC (Tarifa Externa Comum). Junto ao argentino Mauricio Macri, que também tinha uma agenda reformista para o Mercosul, o governo Bolsonaro quis flexibilizar as normas para permitir acordos comerciais individuais.

Voltamos a 2026. O Mercosul (com todas as suas imperfeições) segue de pé, assim como a TEC (com todas as suas perfurações) —em parte pela resistência que a indústria brasileira armou contra as propostas bolsonaristas para o bloco. Os países continuam proibidos, ao menos em tese, de conduzir negociações separadamente.

Segundo o documento, o caminho adotado por Javier Milei oferece um “precedente útil” que Flávio promete examinar e perseguir.

A experiência de Milei reforça justamente a tese de que libertar-se do Mercosul é uma promessa difícil de cumprir. O argentino critica com frequência o projeto de integração regional e faltou a um par de cúpulas. Indicou ainda que queria tirar seu país do bloco para fechar um acordo com os americanos. Em fevereiro, Milei e Donald Trump anunciaram um entendimento de comércio visto por analistas como desproporcionalmente vantajoso aos EUA —mas a Argentina permanece no Mercosul.

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