Dez dias após os terremotos que devastaram regiões na Venezuela, o regime atualizou o número de mortos para 2.954 pessoas. Conforme balanço mais recente divulgado neste sábado (4), há ainda 16.592 feridos.
O novo número representa um aumento de 309 óbitos e quase 4.000 feridos em relação ao boletim da sexta-feira (3), conforme o ministério das Comunicações. Ainda segundo a pasta, mais de 16 mil pessoas perderam suas casas e 856 prédios foram afetados.
O duplo terremoto com magnitudes 7,2 e 7,5 devastou majoritariamente o estado de La Guaira, no norte do país.
O governo não divulga números sobre desaparecidos, embora a ONU estime que possam chegar a 50 mil.
La Guaira, balneário a 40 km de Caracas, é o marco zero dos terremotos que reduziram prédios inteiros a pó. Muitos dos afetados ficaram na rua ou em refúgios precários instalados em parques, sem um futuro claro à sua frente.
Na cidade, a ONU administra um acampamento para pessoas deslocadas pelos terremotos, onde muitas famílias com crianças estão aglomeradas desde 24 de junho.
Caracas também foi impactada pelos tremores, com o colapso de prédios, embora longe do nível de devastação de La Guaira.
A zona mais afetada da capital venezuelana foi a região de Chacao, especialmente os bairros de classe média alta de Los Palos Grandes e Altamira, zonas de maior atividade sísmica. Três edifícios colapsaram. Ao menos 62 pessoas morreram na região, e 28 foram resgatadas vivas, segundo as autoridades locais.
Parte dos venezuelanos critica a resposta da ditadura venezuelana, considerada lenta e insuficiente. A líder interina Delcy Rodríguez, por sua vez, vem defendendo a atuação das autoridades e afirma que as operações de busca e resgate continuam em andamento.
Ela rebateu críticas à resposta à catástrofe e acusou, sem apresentar provas, “laboratórios midiáticos” de tentar dificultar o trabalho das equipes de emergência.
Na segunda (29), o coordenador humanitário da ONU na Venezuela disse que o órgão estava comprando 10 mil sacos para armazenamento de cadáveres, o que indica que o número de mortes deverá crescer.
Diante da dimensão da tragédia, o Programa Mundial de Alimentos da ONU pediu à comunidade internacional US$ 50 milhões (R$ 260 milhões) para prestar assistência a cerca de 500 mil pessoas pelos próximos três meses.
Os terremotos agravaram uma crise humanitária que já era severa. Antes do desastre, a ONU estimava que quase 8 milhões de venezuelanos precisavam de algum tipo de ajuda humanitária.
Segundo a ONU, 27 países enviaram equipes especializadas e cães farejadores para auxiliar nas buscas por sobreviventes entre os escombros.
O Brasil enviou quatro voos de ajuda humanitária à Venezuela, segundo o Ministério das Relações Exteriores.

