A Polícia Civil concluiu, nesta quarta-feira (1º), o segundo e último inquérito sobre a morte de Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de 21 anos, durante um salto de rope jump na Ponte do Esqueleto, entre Limeira e Cordeirópolis (SP). No relatório final, a delegada Andréa Dantas Levy pediu a conversão da prisão temporária de Evelyne dos Santos Gonçalves em prisão preventiva.
Polícia Civil concluiu o segundo inquérito sobre a morte de Maria Eduarda durante salto de rope jump. Foto: Reprodução/Redes sociais.
Ao mesmo tempo, a autoridade policial solicitou a revogação das prisões temporárias de Gabriel Barros Martins e João Antonio Pivetta Ribeiro da Silva. Agora, caberá a Juíza de Limeira decidir se mantém Evelyne presa e se autoriza a liberdade dos outros dois investigados.
Investigação mudou de rumo
O segundo inquérito investigava a suspeita de fraude processual envolvendo o desaparecimento da câmera GoPro utilizada por Maria Eduarda no momento do salto. A Polícia Civil acreditava que o equipamento poderia ter sido retirado do corpo da jovem para ocultar provas importantes sobre o acidente.
Ao longo das investigações, no entanto, a delegada concluiu que não foram reunidos elementos suficientes para responsabilizar Gabriel Barros Martins e João Antonio Pivetta Ribeiro da Silva pelo desaparecimento da câmera.
Segundo o relatório, testemunhas passaram a descrever o homem que retirou o equipamento como alguém de cabelos escuros, característica incompatível com João, conhecido como “Alemão”, que possui cabelos loiros.
Apesar disso, a investigação aponta que permanecem elementos em relação à atuação de Evelyne dos Santos Gonçalves, motivo pelo qual a delegada pediu a conversão da prisão temporária em preventiva.
A câmera GoPro nunca foi localizada e continua sendo considerada uma peça importante para esclarecer os momentos que antecederam o salto.
Exclusividade do Bacci Notícias
O pedido de soltura de João Antonio Pivetta Ribeiro da Silva acontece poucos dias após o Bacci Notícias divulgar, com exclusividade, uma carta escrita por ele enquanto estava preso temporariamente.
No documento, João negava qualquer participação na retirada ou ocultação da GoPro utilizada por Maria Eduarda. Ele também afirmou que permaneceu no local tentando prestar socorro à jovem logo após a queda e disse confiar que as investigações comprovariam sua inocência.
Com a conclusão do inquérito, a Polícia Civil deixou de indiciar João e Gabriel por fraude processual.
Carta escrita de próprio punho foi divulgada pelos advogados de defesa Vitor Aurélio e Ana Flavia de Almeida Foguei. Foto: Bacci Notícias.
Falhas graves na operação
Embora tenha descartado, neste momento, a responsabilização criminal pelo desaparecimento da câmera, a Polícia Civil reforçou uma série de falhas na organização do evento de rope jump.
O relatório aponta ausência de protocolos de segurança, desorganização operacional, falta de treinamento adequado da equipe e inexistência de estrutura formal para a realização da atividade.
A investigação também concluiu que Maria Eduarda foi lançada da ponte sem estar conectada à corda de segurança durante a modalidade conhecida como “aviãozinho”. Depoimentos indicam que algumas pessoas chegaram a gritar avisando que a corda não estava presa, mas o salto aconteceu mesmo assim.
O documento ainda cita relatos de outro incidente envolvendo o grupo meses antes da tragédia, quando um participante teria ficado ferido após uma falha operacional durante um salto.
Primeiro inquérito indiciou três instrutores
No primeiro inquérito, concluído no fim de junho, a Polícia Civil indiciou os instrutores Luis Felipe Feliciano Egoroff, Maicon Fernandes Cintra e Vitor de Freitas Gonçalves por homicídio doloso qualificado, por entender que eles assumiram o risco de provocar a morte da jovem ao permitir a realização do salto sem as condições mínimas de segurança. As prisões em flagrante dos três foram convertidas em preventivas pela Justiça.
Durante essa primeira etapa das investigações, a Polícia também concluiu que o grupo atuava de forma irregular, sem autorização para explorar comercialmente a atividade na Ponte do Esqueleto e sem seguir protocolos técnicos reconhecidos para a prática do esporte.
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Relembre o caso
Maria Eduarda Rodrigues de Freitas morreu no dia 13 de junho, justamente quando comemorava seus 21 anos. Imagens gravadas por pessoas que aguardavam a vez de saltar mostram a jovem sendo erguida pelos instrutores e lançada da ponte sem estar presa ao equipamento de segurança.
Segundos depois, pessoas que acompanhavam a atividade começaram a gritar ao perceber que a corda permanecia no chão. Maria Eduarda caiu de aproximadamente 40 metros de altura e morreu no local.
Com a conclusão dos dois inquéritos, a Polícia Civil encerra a fase de investigação. O material será encaminhado ao Ministério Público, que decidirá se apresenta denúncia à Justiça contra os investigados. Paralelamente, o Tribunal de Justiça de São Paulo analisará
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