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PF, Lula e Mendonça agem com isenção no caso Master – 29/06/2026 – Opinião

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As operações da Polícia Federal se sucedem e confirmam suspeitas de que a máfia do Banco Master infestou todos os cantos da República. Sem preconceito partidário nem predileção ideológica, Daniel Vorcaro e seus comparsas buscaram comprar influência no Executivo, no Legislativo, no Judiciário e nos três níveis federativos.

A entrevista do senador e ex-governador da Bahia Jaques Wagner (PT) a esta Folha entrará para a crônica do chamado Mastergate como um documento didático da dissonância cognitiva entre os figurões de Brasília e o cidadão comum brasileiro. A promiscuidade entre interesses privados e assuntos públicos torna-se, nas palavras do parlamentar investigado, um conjunto de práticas corriqueiras e naturais.

Tudo se passa como se ligações de governadores com empresários, como as reveladas pelos policiais federais, fossem regra.

Pedir ao lobista dos bilhões roubados ingressos do show de uma popstar americana para a família também não causa estranheza ao senador. Seria um valor pequeno demais para corrompê-lo. As caronas em voos de jatinhos fariam parte da vida de um parlamentar, como o oxigênio.

Sim, ele pediu que Augusto Lima, sócio de Vorcaro, comprasse um apartamento de R$ 2,5 milhões em que estava interessado. Era um presente que Wagner pretendia dar à filha, e esse favor do interessado em contratos bilionários com governos e regulamentos do Congresso seria quitado oportunamente, afiançou.

É duvidosa a eficácia de tanta desfaçatez num processo ortodoxo. Daí a aposta de implicados e sua rede de aliados numa canetada que derrube, com um só golpe, todas as investigações.

Wagner disse que o diretor da PF deveria ter mais controle sobre a corporação. Reclamou ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) da exposição de notas de dinheiro e outros bens apreendidos na operação contra ele.

A queixa do parlamentar, defenestrado da liderança do Senado, deveria ser motivo de elogios à Polícia Federal e a Lula.

À primeira, por dar continuidade às investigações do maior escândalo financeiro da história com independência, sem se deixar influenciar pela coloração ideológica dos envolvidos. Ao segundo, por não ter criado obstáculos ao trabalho da PF nem interferido nas apurações, mesmo quando isso contrariava seus próprios interesses políticos.

Decerto a cautela do ministro André Mendonça, chefe do inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF), de bloquear as comunicações antecipatórias entre os agentes encarregados das operações e o delegado-geral da PF, quadro da confiança de Lula, também tem colaborado para essa saudável prática republicana.

Esses poucos vetores de autonomia e espírito de Estado resistem ao cerco que pretende enterrar as apurações e as responsabilizações pelo descalabro do escândalo do Master. Merecem todo o apoio da opinião pública.

editoriais@grupofolha.com.br

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