Redação Tribuna do Norte
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Escolhi Natal para viver e morrer, e acertei na escolha. Tive dois desafios para deixar a cidade, mas faltou coragem. O amor nos olhos não deixou. Acompanho, sem em nada poder influir, sua resistência a tentar manter seus traços humanos. Principalmente, suas homenagens, de boa-fé, mas nem sempre concebidas com o amor de quem vive suas casas, ruas e praças, esse destino bom. É difícil amá-la algumas vezes, quando seus gritos surdos ferem de puro mau gosto nossos olhos.
Mas, e já confesso: não é fácil gostar das esculturas que representam a figura de Câmara Cascudo, mesmo sabendo que as três são homenagens que tentam eternizar sua presença entre nós. A mais antiga está ali, diante do seu Memorial, bem na ilharga da Praça André de Albuquerque. Rígida e estranha, sem os movimentos da naturalidade da anatomia humana. Ele hirto, sem vida, como se sobre o corpo de bronze sustentasse uma cabeça de olhos mortos e cavados na fisionomia.
Quando inaugurada, vieram as reclamações, discretas, mas certeiras. De férias em Natal, ainda lembro, Oswaldo Lamartine, com humor, salvou a estátua e sua mão desproporcional que sustenta a escultura. Perguntado, disse: era preciso uma mão grande e humana, como a mão de Luiz Tavares, para sustentar o seu peso como o nosso maior intelectual. Aliás, complete-se: é, até hoje, nosso melhor produto de exportação, mais do que os melões que o mundo todo consome.
A escultura, no saguão do Museu Câmara Cascudo, homenagem ao grande patrono que um dia o academicismo universitário não permitiu que mais nominasse o Instituto de Antropologia -seu nome na fachada – além de um tipo raquítico, coisa que não foi, é uma escultura em estado de gerúndio: ninguém sabe se está sentando ou levantando. Vale pela intenção de homenageá-lo, mas outra vez não reflete a dinâmica do homem, longe de sua simpatia e da sua singularidade humana.
A escultura nos jardins da Academia Norte-Rio-Grandense de Letras, como um dos seus fundadores, homenagem legítima por sua presença na história da instituição, tem deformações que não enganam os olhos: o volume desproporcional do peito direito, caído sobre o tórax, um braço bem maior que o outro, sem a vivacidade que foi um traço do seu jeito humano, maior, mas sem humilhar ninguém, ele que foi tudo, desde quando a cidade era quase um deserto de grandes ideias.
Nossas instituições são desatentas. José Augusto, na Assembleia, e Dinarte Mariz, na Via Costeira, retratam seridoenses raquíticos. O busto de Miguelinho, nosso único herói de verdade, aquele arcabuzado por defender a liberdade na Revolução de 1817, está abandonado nos jardins internos da Câmara Municipal. Roubaram as placas do obelisco dos cem anos de sua execução. E não há um monumento que eternize o encontro de Getúlio Vargas e Franklin Roosevelt, na Rampa.
PALCO
PRESENÇA – O ex-deputado Fábio Faria aparece na relação de convidados de Daniel Vorcaro para ir a um encontro fechado, em Lisboa, ao lado dos nomes de Hugo Motta e Ciro Nogueira.
NEM – Segundo Bruno Boghossian, da Folha, na gravação telefônica um assessor de Vorcaro pergunta quem está autorizado a entrar. E a resposta de Vorcaro: “Fora da relação, nem o Papa”.
HOMENAGEM – Dom José Freire (1928-2012), vai ser lembrado dia 20, sábado, nos 70 anos de sacerdócio. A missa solene será celebrada no Seminário Santa Terezinha, de Mossoró, às 8hs.
JOÃO – Encerra no dia 20 a novena de S. João Batista em S. João do Sabugí. No rito tradicional, como a Igreja Seridoense sabe fazer. Com rezas, ladainhas, celebração da palavra e a procissão.
HISTÓRIA – Amanhã, sexta, dia 19, com início às 16h, a II Visita ao Alecrim e ao Cemitério do bairro na II Caminhada Histórica muito bem guiada pelo professor e historiador Henrique Lucena.
CONVERSA – Hoje, na Quinta Cultural, no Instituto Histórico e Geográfico, às 17h, o jornalista Octávio Santiago bate um papo sobre o seu livro ‘Só sei que foi assim”. Um olhar sobre o Nordeste.
POESIA – De Ribeiro Couto, na penumbra dos seus versos sempre tão tristes, tão elegíacos, tão assim: “Que quer o vento? / A cada instante / Este lamento / Passa na porta / Dizendo: abre…”
ENCOSTO – De Nino, o filósofo melancólico do Beco da Lama, olhando o manguezal político na sua mesmice: “Em política, aliado pode ser uma força e um encosto. É preciso saber separar”.
CAMARIM
VIDAS -Dom Nivaldo Monte merece todas as homenagens e, por isso, foi justo colocar seu nome no Parque da Cidade, como fez o então prefeito Carlos Eduardo Alves. Um espaço que conta com a obra-monumento criada por Oscar Niemayer. O olho erguido como sentinela guardando a cidade.
SÍMBOLO – Quem simbolizaria melhor a BR 101 que nasce em Touros e corta esse país, seria o Cardeal Dom Eugênio de Araújo Sales. Foi ele que levou a importância da Igreja de Natal pelo Brasil e o mundo, a partir de Roma. E, no Vaticano, integrou os seus mais importantes conselhos.
VALOR – Foi o criador e serviu de modelo ao Brasil da Campanha da Fraternidade; do Movimento de Educação de Base; da escola pelo rádio; fundador da Faculdade de Serviço Social; o Cardeal Primaz do Brasil e Cardeal-Arcebispo do Rio de Janeiro, a maior arquidiocese da América Latina.
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