O setor brasileiro de madeira processada deve ser um dos mais afetados pela nova tarifa de 25% imposta pelos Estados Unidos. Quase todos os produtos do segmento ficarão sujeitos à cobrança a partir da próxima quarta-feira (22).
Molduras, compensados, madeira serrada, pisos, portas e paletes são alguns exemplos dos produtos afetados.
A preocupação das empresas é ampliada pela forte dependência do mercado americano. Segundo a Abimci (Associação Brasileira da Indústria de Madeira Processada Mecanicamente), 80% da produção brasileira do setor é exportada. Metade dessas vendas externas tem como destino os Estados Unidos.
Na prática, cerca de 40% de tudo o que é produzido pelo setor no Brasil é vendido ao mercado americano.
O superintendente da Abimci, Paulo Pupo, afirma que “não existe plano B” capaz de substituir os Estados Unidos no curto prazo.
Em alguns segmentos, os produtos são fabricados especificamente para atender às demandas do mercado americano. É o caso das molduras de madeira.
Praticamente toda a produção brasileira desse item é enviada ao país, principalmente para abastecer a construção civil. Não há, na avaliação dos produtores, outro mercado capaz de absorver essa oferta.
Em 2025, as exportações de molduras perderam US$ 141 milhões em relação a 2024.
A concentração não se limita às molduras: os Estados Unidos também receberam 85% das portas de madeira e 51% dos pisos exportados pelo Brasil em 2025.
Nem mesmo o relacionamento de décadas entre produtores brasileiros e compradores americanos deve ser suficiente para preservar os contratos.
A ausência da madeira processada na lista de exceções foi uma surpresa negativa. O setor esperava que os argumentos apresentados durante as audiências conduzidas pelo USTR (Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos) fossem suficientes para garantir a isenção.
Na avaliação de Pupo, as equipes técnicas brasileiras fizeram um ótimo trabalho nas negociações. Teria faltado, porém, vontade política “nas duas pontas” para evitar a cobrança.
Com a aplicação de tarifas de 50% em 2025, a Abimci calcula que houve uma perda de aproximadamente US$ 500 milhões no comércio ao longo do ano. No ano passado, algumas fábricas recorreram a férias coletivas para reduzir a produção e conter os impactos do tarifaço.
Pupo descarta a possibilidade de as empresas brasileiras oferecerem descontos para compensar a cobrança.
Segundo ele, as margens do setor não permitem absorver uma tarifa de 25%.
A avaliação é que concorrentes de outros países podem adotar uma postura mais agressiva nas negociações e ocupar parte do mercado atualmente atendido pelas empresas brasileiras.
Países como Chile, Malásia, Alemanha e a maior produtora do mundo, a China, devem ser alternativas óbvias ao Brasil.
Os produtores devem se reunir novamente nos próximos dias para avaliar os efeitos da nova cobrança e definir possíveis medidas.
E apesar da frustração inicial, o setor ainda trabalha com a possibilidade de os Estados Unidos anunciarem uma nova lista de exceções.

