InícioOpiniãoPor que torci para a Espanha, e não apenas contra a Argentina

Por que torci para a Espanha, e não apenas contra a Argentina

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“Faça-se, cumpra-se, seja eternamente louvada e glorificada a justíssima e amabilíssima vontade de Deus sobre todas as coisas.” (São Josemaría Escrivá)

Um dos piores males do nosso tempo é o que eu chamo de politização geral da vida. Aquela crença, profundamente demoníaca, de que todas as coisas devem ser reduzidas a um conflito entre opressores e oprimidos. Não é por acaso que a palavra “diabo” significa literalmente “aquele que divide”. E o futebol, é claro, não poderia ficar de fora desse processo diabólico.

Na contramão da tendência da época, venho aqui expor as razões pelas quais eu torci para a Espanha nesta final de Copa do Mundo. O primeiro fator que me levou a desejar e festejar a vitória da Fúria nada tem a ver com política, ideologia ou reparação histórica. Trata-se de um motivo essencialmente pessoal e intransferível: a saudade que eu sinto de uma pessoa que nunca conheci.

Meu avô paterno, Antonio Fernandes Marin, nasceu em 1902 no povoado de Coy, município de Lorca, província de Múrcia, no sul da Espanha. Uma das coisas que sei sobre ele é que, nas Copas do Mundo, se transformava em um apaixonado torcedor da seleção de seu país natal.