InícioBrasillegista explica por que hospital e perícia chegaram a conclusões diferentes

legista explica por que hospital e perícia chegaram a conclusões diferentes

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A divulgação dos exames da Perícia Forense do Estado do Ceará (Pefoce), que descartaram violência sexual na morte da bebê Helena, de 10 meses, levantou uma dúvida entre leitores: como o hospital apontou inicialmente suspeita de abuso sexual e, dias depois, a perícia oficial concluiu que não havia sinais desse tipo de violência?

Para esclarecer essa diferença, a reportagem conversou com o médico-legista Zeno Morrone Junior, que afirmou que esse tipo de divergência pode acontecer.

Bebê Helena (Foto: reprodução)

“Já vi as duas situações. Já vi o legista não encontrar nada e o médico do hospital encontrar. Também já vi médico do hospital falar besteira e o legista dizer que não havia aquilo”, afirmou.

O especialista ressaltou que não analisou os documentos do caso e que falava apenas de forma geral.

“É muito difícil falar à distância. Vi o caso pela televisão, mas é muito difícil fazer qualquer afirmação sem analisar o material.”

Legistas têm maior preparo para esse tipo de exame, diz especialista

Segundo Zeno Morrone Junior, quando há divergência, o trabalho da perícia costuma ter um peso importante, justamente porque os legistas são especializados em exames cadavéricos. “Tem que se basear no que o IML disse. Na minha opinião, os legistas são mais preparados para verificar esse tipo de situação.”

O médico explicou ainda que uma eventual nova autópsia dificilmente traria respostas caso o corpo já tenha sido sepultado. “Fazer uma segunda autópsia, uma exumação, normalmente não encontra mais nada. O corpo de uma criança entra em decomposição muito rapidamente.”

Fotografias podem ajudar na análise

Durante a entrevista, o médico destacou que é procedimento comum registrar fotograficamente os achados periciais. “Em Mogi das Cruzes, por exemplo, nós sempre fotografávamos tudo. Com certeza, o IML deve ter essas fotografias. Isso é importante para a análise.”

Lesões em bebês exigem avaliação cuidadosa

O especialista também explicou que lesões na região anal de crianças pequenas precisam ser analisadas com cautela.

“A criança machuca muito fácil. Em um recém-nascido, por exemplo, você dificilmente vai pensar em lesão causada por fezes endurecidas, porque elas normalmente evacuam fezes pastosas.”

Ao comentar crimes dessa natureza, Zeno destacou que casos envolvendo violência sexual contra bebês são extremamente incomuns, embora possam ocorrer. “É muito difícil pensar nessa possibilidade, mas tem louco para tudo.”

O que é asfixia mecânica indireta?

Outro ponto esclarecido pelo médico foi a causa da morte apontada pela perícia: asfixia mecânica indireta.

Segundo ele, diferentemente da asfixia direta — como estrangulamento ou enforcamento, quando há ação sobre o pescoço —, a indireta ocorre quando há obstrução das vias aéreas ou impedimento da respiração.

“Um travesseiro sobre o rosto pode causar uma asfixia indireta. Em crianças pequenas isso também pode acontecer se elas ficarem com o rosto pressionado contra um colchão ou travesseiro e não tiverem força para se movimentar.”

O médico lembrou ainda de um caso acompanhado durante sua carreira. “Já vi uma criança morrer nessa situação. A mãe tinha uma mama muito grande e, durante o sono, acabou cobrindo o rosto do bebê, causando uma asfixia.”

Ele acrescentou que a compressão do tórax também pode provocar esse tipo de morte, ao impedir os movimentos respiratórios.

Polícia descartou violência sexual

Em nota divulgada nesta terça-feira, a Polícia Civil e a Pefoce informaram que os exames laboratoriais não encontraram vestígios de álcool ou drogas na bebê, tampouco presença de sêmen ou material genético dos dois investigados.

Além disso, o exame sexológico não identificou sinais de violência sexual. O laudo cadavérico concluiu que a causa da morte foi asfixia mecânica indireta, resultado que levou a investigação a ser reclassificada.

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