O presidente Volodimir Zelenski nomeou nesta sexta-feira (17) o ex-chefe da polícia e ex-ministro do Interior da Ucrânia, Ihor Klimenko, para comandar o Conselho de Segurança Nacional e Defesa. A decisão ocorreu após a demissão de um popular ministro da Defesa desencadear protestos no país.
Zelenski afirmou que o atual ministro do Interior ficará responsável por coordenar “todos os componentes do setor de segurança e defesa”, incluindo a produção de armamentos.
Ainda não está claro se Rustem Umerov, atual presidente do conselho e principal negociador da Ucrânia nas conversas de paz com a Rússia mediadas pelos Estados Unidos, assumirá outra função no governo.
Klimenko aparecia entre os nomes cotados para substituir o ministro da Defesa, Mikhailo Fedorov, 35, a quem se atribui parte dos recentes sucessos militares da Ucrânia na guerra contra a Rússia, que já entra em seu quinto ano.
A demissão de Fedorov, que desencadeou protestos considerados raros em Kiev e em outras cidades ucranianas em plena guerra, ocorreu após o agravamento de sua disputa com o comandante das Forças Armadas, Oleksandr Sirski. Nesta sexta, manifestantes foram às ruas pelo segundo dia consecutivo.
O desentendimento veio a público na quinta (16), quando o então ministro acusou o general de 60 anos de sabotar seu trabalho. Mais tarde, Zelenski indicou Ievhen Khmara, autoridade de segurança responsável por supervisionar os ataques ucranianos de longo alcance contra a Rússia, para assumir o Ministério da Defesa.
Enquanto isso, manifestantes se reuniram em frente ao gabinete presidencial, no centro de Kiev, exigindo a recondução de Fedorov ao cargo. Para os ativistas, o ex-ministro desempenhava papel central na modernização das Forças Armadas e do Ministério da Defesa.
As manifestações lembraram os atos realizados no mesmo local no ano passado contra a tentativa de Zelenski de reduzir os poderes das agências anticorrupção do país —medida da qual o presidente acabou recuando diante da pressão popular.
“Eu realmente acredito e espero que as autoridades, afinal, ouçam o povo, que atendam às demandas do povo”, disse Valeriia Balenko, 29, que protestava perto do escritório de Zelenski. “Porque é isso que o povo quer, pela vida dos nossos soldados e pelos civis que vivem sob ataques aéreos todos os dias.”
A nova crise política surge num momento em que as forças ucranianas começam a recuperar a iniciativa no campo de batalha, intensificando ataques com drones e mísseis contra instalações industriais e redes logísticas russas.
Ao mesmo tempo, o país continua enfrentando dificuldades para recrutar soldados e obter sistemas de defesa aérea suficientes para proteger suas cidades dos frequentes bombardeios russos, enquanto as tropas de Moscou continuam avançando lentamente em algumas frentes.
A ampla reformulação do governo anunciada por Zelenski no último domingo (12) abriu caminho para a formação de um novo gabinete, liderado pelo ex-executivo do setor de energia Serguei Koretski.
Aprovado pelo Parlamento na quinta, Koretski terá como principal desafio preparar o país para mais um inverno marcado por possíveis ataques russos em larga escala contra a infraestrutura elétrica ucraniana.

