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Jogadores de tênis pressionam por participação em receitas – 23/07/2026 – Esporte

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Faltando pouco mais de um mês para o início do último Grand Slam do ano, o grupo de jogadores do top 20 que reivindica maiores premiações nos principais torneios do esporte está voltando sua atenção para a grande novidade do US Open: o torneio de duplas mistas, repleto de estrelas, que agora sustenta a “Fan Week” (Semana dos Fãs), evento cada vez mais lucrativo.

Os dirigentes da USTA (Associação de Tênis dos Estados Unidos) trabalham para evitar o que poderia se tornar um boicote parcial constrangedor a um evento para o qual já venderam milhares de ingressos de alto valor. Até o momento, os esforços não foram suficientes para satisfazer o grupo de jogadores, segundo pessoas a par das negociações que falaram sob condição de anonimato para discutir livremente um assunto delicado.

Em 4 de julho, em Londres, líderes do grupo —incluindo Jessica Pegula— reuniram-se com Brian Vahaly, presidente da USTA (entidade proprietária e organizadora do US Open), e Eric Butorac, o novo diretor do torneio. O objetivo foi discutir as reivindicações dos jogadores por uma fatia maior das receitas do torneio destinada à premiação, bem como maior participação nas decisões sobre a programação e as operações do evento. Outros nomes do grupo incluem Coco Gauff, Aryna Sabalenka, Ben Shelton e Elena Rybakina.

Segundo duas pessoas informadas sobre essas discussões —incluindo um porta-voz da USTA que confirmou detalhes da reunião—, ambos os lados saíram com a sensação de que houve progresso. No entanto, as medidas da USTA não foram suficientes para que os principais jogadores desistissem da ameaça de não disputar o torneio de duplas mistas e as partidas de exibição beneficentes, organizadas pela USTA durante a semana de intensa movimentação que antecede a chave principal, no Billie Jean King National Tennis Center, em Nova York.

A premiação continua sendo o principal entrave. Os jogadores buscam uma participação garantida na receita total. Até agora, os organizadores do torneio não se comprometeram com uma fórmula de divisão de receitas.

Jannik Sinner, o número 1 do ranking de simples masculino, está entre os jogadores que cogitam não participar do torneio de duplas mistas sob as condições financeiras atuais. Outros jogadores de elite estão prontos para apoiá-lo, um sentimento que foi transmitido a Vahaly e Butorac e chegou a Craig Tiley, que assumiu na segunda-feira o cargo de CEO da USTA.

Tiley foi anteriormente CEO da Tennis Australia, proprietária e organizadora do Australian Open, onde construiu a reputação de ser um dos executivos mais receptivos aos jogadores no esporte. No entanto, no ano passado, ele se recusou a discutir a questão da divisão de receitas com os principais jogadores.

Sinner estava cotado para disputar a chave de duplas mistas no ano passado ao lado de Katerina Siniakova, número 1 do mundo em duplas femininas, mas desistiu após abandonar a final do torneio de Cincinnati uma semana antes, devido a problemas de saúde. A competição foi vencida no ano passado pelos especialistas em duplas italianos Andrea Vavassori e Sara Errani; a USTA ainda não divulgou a lista inicial de inscritos para o evento deste ano.

Os jogadores se uniram há mais de um ano e vêm trabalhando com Larry Scott, um executivo do esporte de longa data e ex-líder do circuito da WTA. Por meio de uma série de cartas e reuniões, eles solicitaram a cada um dos torneios de Grand Slam a criação de conselhos de jogadores independentes —com participação ativa em decisões como a definição do calendário—, bem como uma contribuição anual de US$ 4 milhões (R$ 20,3 milhões) para planos de aposentadoria e assistência médica dos atletas, e a garantia de que a premiação corresponda a pelo menos 16% da receita do torneio, aumentando para 22% até 2030.

Segundo uma pessoa informada sobre a reunião entre os líderes do grupo de jogadores e a USTA, Vahaly e Butorac afirmaram que a organização estava disposta a avançar com a criação de um conselho consultivo de jogadores e a contribuir para a aposentadoria e o bem-estar dos atletas, embora não tenha se comprometido com um valor específico.

De acordo com as fontes, Vahaly e Butorac também informaram que o US Open planejava anunciar um aumento significativo na premiação, mantendo sua posição como o torneio de Grand Slam mais lucrativo. Se o aumento acompanhar o ritmo do registrado no ano passado no US Open e o recente reajuste em Wimbledon, a premiação total chegará a pelo menos US$ 100 milhões (R$ 506,3 milhões). Embora o grupo de jogadores tenha reconhecido os avanços, por enquanto planeja manter a insistência em um plano de divisão de receitas que ajude a reestruturar a remuneração dos atletas nos torneios de Grand Slam.

Por meio de um representante, Pegula não quis comentar para esta matéria. No mês passado, em Wimbledon, ela afirmou que os jogadores valorizaram a decisão do torneio de aumentar a premiação, “mas, novamente, isso não responde realmente às questões que temos levantado”.

“Não sei se a mensagem não está sendo compreendida”, disse Pegula durante sua coletiva de imprensa antes do torneio. “Ao chegarmos ao próximo Slam, o US Open, acho que teremos uma noção mais clara de qual é a nossa situação real em relação aos Slams.”

Dois dias após a reunião com a USTA, o grupo de jogadores alcançou o que pode ter sido seu primeiro avanço significativo durante um encontro que contou com a presença de Scott, agentes de vários dos principais jogadores e dirigentes de Roland Garros —incluindo Stéphane Morel, CEO da federação francesa de tênis, e Amélie Mauresmo, diretora do torneio.

Segundo uma das pessoas informadas sobre a reunião, Roland Garros apresentou uma proposta concreta sobre os três pontos em questão, incluindo uma fórmula de premiação que vincula a remuneração dos jogadores ao sucesso financeiro do torneio, embora os valores ainda não atendam às exigências dos atletas. No início deste ano, Roland Garros elevou a premiação total para US$ 70 milhões (R$ 355 milhões), um aumento de 9,5% em relação a 2025.

No ano passado, o US Open aumentou sua premiação em 21%, passando de US$ 70 milhões para US$ 85 milhões (R$ 430 milhões), em meio a solicitações iniciais dos jogadores para negociar um novo modelo de participação nas receitas.

Em junho, o All England Club, proprietário e organizador de Wimbledon, aumentou a premiação em 20%, chegando a cerca de US$ 86 milhões (R$ 435 milhões).

Em resposta, o grupo de jogadores afirmou valorizar os gestos, mas voltou a destacar a ausência de um compromisso com a participação nas receitas. O valor da premiação também permaneceu abaixo da porcentagem da receita total projetada que eles haviam solicitado, e a proposta não incluiu compromissos com programas de bem-estar dos jogadores.

Os dirigentes de Wimbledon e de Roland Garros afirmaram não acreditar que a receita seja a base adequada para calcular a premiação, pois esse critério não leva em conta o reinvestimento de tais recursos nos torneios e no ecossistema mais amplo do tênis. Na reunião em Londres, Vahaly e Butorac disseram que a USTA não poderia assumir compromissos com um modelo de participação nas receitas antes que Tiley assumisse o cargo de CEO.

Caso o US Open aumente a premiação em 20%, chegando a cerca de US$ 100 milhões, não está claro se isso atenderia à demanda inicial dos jogadores por 16% da receita do torneio. Em 2024, o ano mais recente com dados de receita disponíveis, a USTA registrou US$ 560 milhões (R$ 2,8 bilhões) em receitas provenientes do torneio. A premiação total de US$ 85 milhões para 2025 representou pouco menos de 15,2% desse valor; no entanto, o grupo de jogadores baseou seus argumentos na proporção entre a premiação efetiva de um determinado ano do torneio e a receita hipotética para esse mesmo ano.

As receitas do US Open do ano passado só serão divulgadas publicamente mais adiante neste ano, mas a realização da primeira edição do novo torneio de duplas mistas e o início da competição em um domingo pela primeira vez na história do evento (o que acrescenta um dia extra de venda de ingressos) contribuíram para aumentar o público.

O torneio de 2026 implementou aumentos significativos nos preços dos ingressos, e o crescimento geral das receitas com direitos de transmissão e patrocínios pode elevar o faturamento do evento para perto de US$ 700 milhões (R$ 3,5 bilhões) este ano. A organização informou que o aumento da receita ajudará a custear a reforma de US$ 800 milhões (R$ 4 bilhões) do Estádio Arthur Ashe e a construção de um novo centro de treinamento, alimentação e hospitalidade para os jogadores, situado ao lado do estádio.

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