Em 16 de junho, durante a Cúpula do G7 realizada na França, a primeira-ministra japonesa Takaichi Sanae realizou uma reunião bilateral com o presidente Lula, que participou no G7 como convidado. Para a primeira-ministra, que assumiu o cargo em outubro do ano passado, essa foi a primeira reunião presencial com um chefe de Estado da América Latina.
O Brasil vem sendo convidado para a Cúpula do G7 por quatro anos consecutivos, tendo começado com a Cúpula de Hiroshima em 2023. Isso demonstra o quanto os países do G7, incluindo o Japão, valorizam as relações com o Brasil. Ao mesmo tempo em que desempenha um papel ativo como membro do Brics, o Brasil constrói laços sólidos com os países ocidentais que compartilham valores como a democracia e o Estado de Direito, contribuindo para o desenvolvimento da comunidade internacional.
Na reunião de cúpula Japão-Brasil, os dois líderes concordaram em iniciar as negociações para um Acordo de Parceria Econômica (APE) entre o Japão e o Mercosul. Essa decisão reflete o reconhecimento comum de que, em meio ao fortalecimento do protecionismo em várias partes do mundo, o Japão e o Mercosul devem agir em conjunto para defender o livre comércio internacional.
Do ponto de vista do Japão, espera-se que o APE fortaleça as relações comerciais e de investimento com o Mercosul, que conta com uma população de cerca de 300 milhões de pessoas.
A promoção da exportação de produtos e serviços de excelência tanto do Japão quanto do Mercosul proporcionará diversas opções aos consumidores e, para as empresas, espera-se que estimule a inovação aberta por meio do uso de tecnologias emergentes, como IA.
Se, por meio da melhoria do ambiente de negócios, forem promovidos os investimentos de empresas japonesas no Mercosul, incluindo o Brasil, isso também impulsionará a criação de empregos de alta qualidade —característica amplamente reconhecida das empresas japonesas.
Além disso, gostaria de mencionar que os recursos minerais importantes existentes no Brasil, incluindo as terras raras, estão atraindo cada vez mais atenção internacional com oportunidades de negócios significativas.
No que diz respeito às terras raras, tão procuradas pelo mundo dos negócios, estima-se que o Brasil já possua a segunda maior reserva mundial, apesar de apenas cerca de 30% do território brasileiro ter sido mapeado em termos de reservas. Ademais, o fato de as terras raras brasileiras se encontrarem em jazidas argilosas, o que facilita a extração em comparação com jazidas rochosas, também está chamando a atenção.
Para aproveitar esse potencial, é essencial atrair investimentos por meio da melhoria do ambiente de negócios. Esperamos que o Acordo de Parceria Econômica Japão-Mercosul amplie os investimentos relacionados a minerais importantes.
Ao mesmo tempo, o Mercosul, incluindo o Brasil, possui recursos agrícolas abundantes e alta capacidade de produção de alimentos. Assim como a cooperação entre o Japão e o Brasil transformou o cerrado em uma das regiões agrícolas mais produtivas do mundo, é desejável para o Japão que, por meio do acordo, se fortaleça a cooperação para garantir um abastecimento estável de alimentos. É importante concluir as negociações com agilidade. Manifesto meu firme compromisso em envidar todos os esforços para que as negociações sejam concluídas com êxito o mais rápido possível.
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