InícioOpiniãoIncerteza econômica nubla a política de juros - 18/06/2026 - Opinião

Incerteza econômica nubla a política de juros – 18/06/2026 – Opinião

Publicado em

spot_img

Neste terceiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o Banco Central autônomo tem carregado nas costas a política econômica, ao preservar, sem ajuda do governo, critérios técnicos, coerência, previsibilidade e clareza de propósitos. No entanto essa tarefa, ao que parece, tornou-se mais difícil.

Foi o que deixou transparecer a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) desta semana, que decidiu reduzir a taxa básica de juros, Selic, em 0,25 ponto percentual, para 14,25% ao ano.

O corte não foi surpreendente, mas tampouco deixa de suscitar questões —afinal, a inflação está em alta e acima do teto oficial de 4,5% em 12 meses, tanto no presente quanto nas projeções para o encerramento deste 2026. O comunicado que acompanhou a medida gerou dúvidas adicionais.

Causou espécie entre os analistas a afirmação do documento de que a inflação poderá convergir à meta de 3% no primeiro trimestre de 2028. Até então, as explicações do Copom costumavam mencionar apenas o horizonte de 18 meses, que desta vez se encerra no último trimestre de 2027, no qual se consideram mais palpáveis os impactos das decisões da política monetária.

A mudança pode parecer sutil, mas sabe-se que os textos do BC são planejados nos mínimos detalhes para dar sustentação às expectativas de mercado.

Agora, porém, o BC prefere não dar maiores sinais a respeito de seus próximos passos. Mais uma vez, diz que a evolução dos juros dependerá de “novas informações”, como acerca da guerra no Oriente Médio e seus efeitos sobre os preços do petróleo.

Esse problema, de fato, é complexo e global. A trégua recém-firmada entre Estados Unidos e Irã ainda não dá segurança sobre a normalização da oferta de petróleo, e uma alta da inflação já se materializou.

O Banco Central Europeu elevou seus juros; o americano Federal Reserve indicou que essa não é uma hipótese descartada. Há pela frente, ademais, os efeitos do fenômeno climático El Niño.

O Brasil tem ainda suas peculiaridades, em boa parte listadas no comunicado do BC, mesmo que em linguagem tecnocrática. Quando cita “estímulos à demanda agregada, em particular ao componente de consumo, que tenham como resultado o crescimento da atividade econômica acima do produto potencial”, a instituição claramente se refere à ofensiva de Lula pela reeleição.

A aceleração do gasto e do crédito público, por meio da sucessão de aparentes bondades distribuídas pelo Planalto, reduz a eficácia da Selic estratosférica em esfriar a economia e a inflação. Não bastasse, agrava a situação já alarmante das contas públicas e deixa mais ajustes a cargo da próxima administração.

O BC não exagera ao descrever o cenário atual como de “forte aumento da incerteza”. Sua missão será evitar que o tumulto econômico se transforme em perda mais aguda do poder de compra da moeda, o que prejudicaria sobretudo a população pobre.

editoriais@grupofolha.com.br

Veja a matéria completa aqui!

Últimas Notícias

Web resgata vídeo Virginia, Zé Felipe, Ana Castela e Vini Jr juntos

Em meio ao clima de Copa do Mundo de 2026, que está sendo realizada...

Tainá diz ter “sorte grande” com ajuda de Militão na rotina com os filhos de Léo Pereira

Recentemente, a influenciadora também falou sobre os ataques que tem recebido nas redes sociais...

Se um galho cair na sua cabeça e você ficar paraplégico

Ana Beatriz Stubinsk tem 22 anos. Sábado passado (13), ela estava andando tranquilamente pelas...

Veja Também

Web resgata vídeo Virginia, Zé Felipe, Ana Castela e Vini Jr juntos

Em meio ao clima de Copa do Mundo de 2026, que está sendo realizada...

Tainá diz ter “sorte grande” com ajuda de Militão na rotina com os filhos de Léo Pereira

Recentemente, a influenciadora também falou sobre os ataques que tem recebido nas redes sociais...

Se um galho cair na sua cabeça e você ficar paraplégico

Ana Beatriz Stubinsk tem 22 anos. Sábado passado (13), ela estava andando tranquilamente pelas...