As funerárias de Paris atingiram sua capacidade máxima nesta segunda-feira, 29, em meio ao aumento de mortes provocado pela onda de calor recorde que atinge grande parte da Europa desde o fim de junho.
Segundo a agência nacional de saúde pública da França, foram registradas cerca de 1.000 mortes adicionais desde a última quarta-feira em comparação com os meses anteriores, a maior parte das vítimas idosos com mais de 65 anos. E as autoridades afirmam que o número ainda pode aumentar.
A presidente da Federação Nacional de Funerárias, Élisabeth Charrier, informou que a taxa de ocupação das funerárias francesas, que normalmente varia entre 30% e 45% durante o verão, passou de 66% em todo o país. Em Paris, as duas únicas unidades da capital operam na capacidade máxima desde a última sexta-feira, obrigando muitas famílias a recorrerem a estabelecimentos em outras cidades.
Em uma nova reunião de crise nesta segunda, o primeiro-ministro da França, Sébastien Lecornu, defendeu a resposta do seu governo à onda de calor, afirmando que o plano “funcionou bem”. Ele anunciou ainda que os primeiros dos 30 mil aparelhos de ar-condicionado adquiridos em caráter emergencial para hospitais começarão a ser entregues até o fim desta semana.
Calor intenso
Durante a semana passada, a França enfrentou temperaturas acima dos 40°C durante o dia. As noites também bateram recordes de calor, com média de 22°C e máxima de 26,4°C na capital francesa.
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Desde o início das altas temperaturas, ao menos 74 pessoas morreram afogadas no país, a maioria em rios, lagos e outros locais sem supervisão.
As autoridades locais também observaram um aumento de 40% nas mortes ocorridas dentro das residências, um indicativo de que muitos idosos não conseguiram enfrentar as temperaturas extremas mesmo sem sair de casa.
Nesta segunda, a onda de calor que assola o continente europeu levou a Eslováquia a registrar uma temperatura recorde (41°C), enquanto a Hungria incentivou que funcionários não saiam de casa e trabalhem remotamente, somando-se à lista de países que começaram a tomar medidas extraordinárias contra o calor: desde o fechamento de escolas ao cancelamento de festivais.
Para a Ucrânia, esta onda de calor chega em um momento em que a rede elétrica está gravemente danificada pelos bombardeios russos e as temperaturas previstas para esta semana, que podem chegar a 38°C, podem colocar o sistema à prova. As autoridades já programaram cortes de energia para terça-feira em pelo menos cinco regiões do país, informaram as operadoras de energia.

