Celebrado em 28 de junho, o Dia Internacional do Orgulho LGBTQIA+ é marcado por manifestações em defesa dos direitos e da visibilidade dessa população. Além da luta por igualdade, especialistas ressaltam que a data também é um momento importante para discutir saúde mental, já que pessoas LGBTQIA+ enfrentam desafios específicos relacionados ao preconceito, à exclusão e à violência.
Para Fernando Alcantud Souza, psicólogo da Atenção Básica do SUS (Sistema Único de Saúde em Álvares Machado) (SP), falar sobre saúde mental nessa data ajuda a ampliar o olhar da sociedade sobre uma população que, historicamente, foi alvo de discriminação.
“A questão dos dias em alusão a lutas específicas, é que serve para aumentar a consciência social ao redor do tema. Historicamente, as formas associadas no imaginário popular a esses grupos é de uma forma marginalizada, então se associou à epidemia da AIDS de maneira super homofóbica nos anos 80 e 90”, afirma.
Para Alcantud, é importante compreender que ansiedade, depressão e outros sofrimentos psicológicos podem ser atravessados por fatores sociais, como preconceito e exclusão. “Os marcadores sociais dessas pessoas, não são os mesmos de pessoas heteronormativas. A gente precisa estar refletindo como que essas pessoas experienciam ansiedade, depressão, ou mesmo desafios da vida diária, que são outros por causa desses marcadores sociais”, diz.
Exclusão e falta de acolhimento
Na prática clínica do SUS, o profissional explica que muitas demandas estão relacionadas à dificuldade de aceitação, tanto por parte da família quanto da própria pessoa.
“Grande parte das pessoas LGBTQIA+ cresce em ambientes heteronormativos. Quando essas pessoas se deparam com a realidade da própria sexualidade, com a questão da homossexualidade ou a bissexualidade, ou mesmo as pessoas trans, a gente percebe que tem um conflito interno muito grande pela falta de aceitação e pelas faltas de referência nos ambientes familiares sociais”.
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O psicólogo ressalta que o adoecimento mental não está relacionado à orientação sexual ou identidade de gênero em si.
“é importante deixar muito claro que não é que essas pessoas são mais propícias a doenças mentais, mas é que os marcadores sociais de exclusão, de violência, que às vezes elas passam, é que geram esses adoecimentos, como é na população negra, como é em outras populações historicamente marginalizadas”.
Segundo ele, dificuldades de inserção no mercado de trabalho, preconceito, violência e falta de apoio familiar também aparecem com frequência entre os fatores que mais afetam a saúde mental dessa população.
Onde buscar atendimento
Fernando explica que a porta de entrada para o atendimento psicológico no SUS costuma ser a Unidade Básica de Saúde (UBS).
“A atenção básica é o primeiro lugar que a população deve procurar. Em situações de maior gravidade, também existem os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), que funcionam como serviços de porta aberta para acolher pessoas em sofrimento psíquico.”
Para ele, discutir saúde mental durante o Dia do Orgulho LGBTQIA+ também ajuda a combater a culpa e o isolamento vividos por muitas pessoas.
“Muitas chegam ao atendimento com uma ideia que tem alguma coisa errada com elas, e isso gera uma culpa muito grande, que por sua vez vai gerar quadros específicos. Nisso que entra em psicoterapia, na verdade, para a pessoa conseguir compreender onde que esses marcadores sociais afetam, e a partir disso encontrar a própria autonomia”.

