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Deterioração financeira de estatais é preocupante, diz IFI

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A saúde financeira das empresas estatais federais brasileiras apresenta sinais preocupantes de deterioração. É o que aponta o novo Relatório de Acompanhamento Fiscal da IFI (Instituição Fiscal Independente), que identificou patrimônio líquido negativo, fluxo de caixa operacional deficitário e margens operacionais negativas em diversas companhias controladas pela União.

Em entrevista ao CNN Money, o diretor da IFI, Alexandre Andrade, afirmou que a análise, baseada em dados desde 2018, revela uma piora consistente em diferentes indicadores financeiros.

“São uma porção de indicadores que mostram uma deterioração financeira das empresas estatais nos últimos anos”, disse. Segundo ele, embora o quadro seja generalizado, as causas variam de empresa para empresa, exigindo uma avaliação individualizada para compreender a origem dos problemas e definir soluções adequadas.

Para Andrade, a deterioração representa um risco concreto para as contas públicas. “Essa deterioração é muito preocupante do ponto de vista fiscal, do ponto de vista da União, porque isso representa um risco que pode se materializar e trazer consequências para outras variáveis”, afirmou.

Na avaliação do diretor, o agravamento da situação financeira das estatais pode obrigar o governo federal a realizar novos aportes de recursos, aumentando as despesas da União em um contexto de forte restrição orçamentária e dificuldades para o cumprimento das metas fiscais.

Questionado sobre a possibilidade de falência de alguma estatal, Andrade descartou essa hipótese. Segundo ele, esse cenário não se aplica às empresas públicas, uma vez que o Estado dispõe de mecanismos para manter suas operações em funcionamento.

Como exemplo da pressão sobre as finanças dessas companhias, citou os Correios, que receberam, no ano passado, um empréstimo de R$ 12 bilhões avalizado pela União e, conforme previsão contratual, deverão necessitar de um novo aporte entre R$ 6 bilhões e R$ 7 bilhões em 2027.

Os Correios figuram entre os casos mais emblemáticos apontados pela IFI. De acordo com Andrade, a empresa registrou uma redução de cerca de R$ 2 bilhões na receita bruta entre 2022 e 2025, reflexo de uma queda de aproximadamente 65% a 70% no volume de remessas postais, movimento associado à cobrança da chamada “taxa das blusinhas”.

Paralelamente, a estatal enfrentou forte aumento de despesas após reconhecer em seu balanço entre R$ 2 bilhões e R$ 3 bilhões em precatórios relacionados a dívidas trabalhistas e planos de saúde.

“Ao mesmo tempo em que houve uma queda de receitas, houve uma pressão muito forte de custos no curto prazo, o que estrangula o caixa da companhia”, resumiu.

Outro exemplo é a Infraero. Segundo o diretor da IFI, a estatal vem perdendo receitas em razão da concessão de aeroportos à iniciativa privada, que reduziu significativamente sua participação na administração aeroportuária. Além disso, a empresa enfrenta mudanças em seu modelo de negócios e adaptações decorrentes de alterações regulatórias.

“A empresa está vivenciando uma mudança no seu modelo de negócio ao mesmo tempo em que ocorrem mudanças de caráter regulatório”, explicou.

Para Andrade, o diagnóstico reforça a necessidade de análises específicas para cada estatal. Embora os indicadores revelem uma deterioração generalizada, as origens dos problemas e as alternativas para enfrentá-los diferem entre as empresas, exigindo que os gestores públicos avaliem cada caso individualmente antes de definir medidas de reestruturação ou de apoio financeiro.

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