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Copa do Mundo: A pergunta que é preciso fazer a Ancelotti – 07/07/2026 – Idelber Avelar

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O jornalismo esportivo tem a obrigação de colocar uma pergunta a Carlo Ancelotti. Há várias perguntas, mas uma é ineludível. Ela pode ser feita de maneira mais agressiva ou polida. Mas ela tem que ser feita.

Em um tom escrachado, a pergunta seria: “O senhor fez as alterações dos 66 minutos porque pensou que um ex-jogador gordo e manco, que não atua em alto nível há três anos e meio, poderia realizar um milagre ou porque queria acalmar o lobby e antecipar sua autoblindagem das críticas que receberia no caso de uma eliminação com ele no banco?”.

O fato de que Ancelotti não responderia essa pergunta de forma aberta e sincera —ele não é Tuchel, ele tem outro estilo, mais diplomático— não exime o jornalismo da obrigação de fazê-la.

O Brasil atuou reativamente, entregando a bola à Noruega para sair em contra-ataque. Fechou o primeiro tempo com apenas 35% da posse. Essa não seria a minha escolha, mas entendo sua lógica.

Sabemos que o Brasil não possui um meio-campo robusto e controlador e que a equipe tem na qualidade dos atacantes e zagueiros-centrais as suas grandes forças. Sabemos também que a Noruega tem nas arrancadas de Haaland, a partir de passes de Odegaard, a sua grande arma. Fazia sentido negar-lhes essa arma com um esquema que compactasse a intermediária.

Entendo as críticas a essa escolha. É uma questão de opinião. O que não é questão de opinião, e sim de fato, é que essa formação não perdeu o jogo para a Noruega. Essa formação empatou o jogo em 0 x 0 durante 66 minutos, deixando-o aberto para a última quarta parte.

Assim como Tim Vickery, vi as substituições serem preparadas com estupefação. Uma coisa é acalmar o lobby colocando Neymar no fim de uma partida que o Brasil vence por 3 x 0, como aconteceu contra a Escócia. Outra coisa é desarmar o time inteiro para colocá-lo em um jogo eliminatório que está 0 x 0.

Antecipando os problemas no meio, Ancelotti coloca também Danilo Santos. Sacrificam-se Rayan e Martinelli, que vinham bem no jogo.

Endrick é deslocado para a ponta e o Brasil perde a pressão na bola. Como a Noruega agora pode carregá-la tranquila, Bruno Guimarães é obrigado a dar botes que ele antes não tinha que dar. Desarrumam-se as linhas e aparece um espaço que antes não havia entre ele e Casemiro.

Em vez das dobras Rayan-Danilo e Martinelli-Douglas Santos, que antes bloqueavam os flancos, agora temos Danilo e Douglas Santos desguarnecidos, porque Endrick e Vini não realizam bem essa função.

Na jogada do primeiro gol, Endrick dá um bote errado, típico de atacante que quer roubar a bola, quando o que se impõe ali é defender o cruzamento. Como Endrick fica na saudade, Danilo tem que se deslocar para o combate, obrigando Marquinhos a proteger aquele espaço. Abrem-se dez metros entre Marquinhos e Gabriel —o espaço atacado por Haaland para cabecear.

Não foi falha de ninguém. Foi uma quebra sistêmica, em efeito dominó, provocada pela desmontagem do time para acomodar uma substituição.

Ancelotti inseriu Neymar por motivos internos ao jogo —porque ele inexplicavelmente acreditava em algum milagre – ou por motivos externos ao jogo? A torcida merece ouvir uma resposta, ainda que ela seja, como suspeito que será, protocolar e diplomática.


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