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O presidente Donald Trump disse nesta sexta-feira, 10, que os Estados Unidos concordaram em continuar as negociações com o Irã, mas reiterou que o cessar-fogo entre os dois países chegou ao fim.
“O Irã nos pediu para continuar as ‘conversas’. Concordamos em fazê-lo, mas os Estados Unidos deixaram claro para eles, sem rodeios, que o cessar-fogo ACABOU!”, publicou o ocupante do Salão Oval em sua rede social, a Truth.
Fim da trégua
Na quarta-feira 8, Trump anunciou que a trégua no Oriente Médio “acabou” após uma troca de ataques entre as forças americanas e as tropas iranianas nos dois dias anteriores.
O presidente americano chamou a república islâmica de “escória” e um país governado por “malucos” depois que Teerã respondeu a bombardeios americanos com ataques contra bases dos Estados Unidos no Golfo — de acordo com Washington, seus disparos foram motivados por investidas iranianas no Estreito de Ormuz na segunda-feira. Os preços do petróleo dispararam imediatamente 5% após as declarações do mandatário americano.
“No que me diz respeito, acabou”, declarou Trump durante a reunião de cúpula da Otan, ao ser questionado se a trégua com o Irã ainda estava em vigor. “É apenas uma perda de tempo lidar com eles”, acrescentou. “Eles são escória, são pessoas doentes, são liderados por pessoas doentes, e são pessoas perversas e violentas. E se tivessem uma arma nuclear, eles a usariam.”
Na quinta-feira 9, o Irã afirmou ter atacado bases e ativos militares dos Estados Unidos no Bahrein, no Catar e no Kuwait, em resposta aos novos bombardeios americanos contra alvos iranianos.
A ofensiva ocorreu horas após ataques aéreos realizados pelos Estados Unidos contra o Irã, que deixaram ao menos 14 mortos e 78 feridos, segundo balanço divulgado nesta quinta-feira pelo Ministério da da Saúde iraniano. Cinco províncias do país foram atingidas, intensificando a escalada do conflito após o rompimento do acordo de cessar-fogo entre Washington e Teerã.
Em meio à troca de ataques, Trump declarou nesta quarta-feira ser o “número 1 na lista de alvos do Irã”. A inteligência de Israel compartilhou com o governo dos Estados Unidos informações sobre um suposto plano do Irã para assassinar o presidente dos Estados Unidos, de acordo com informações divulgadas na quinta-feira 9 pelo jornal americano The Wall Street Journal.
A ameaça do Irã
Antes dos ataques mais recentes, o Irã ameaçou fechar o Estreito de Ormuz caso os EUA realmente realizassem os ataques comentados pelo presidente Donald Trump. Segundo a emissora estatal Press TV, que cita uma fonte de segurança, Teerã também promete retaliar qualquer ofensiva americana com ataques em proporção de “dois para um”.
A advertência volta a colocar em risco a travessia em uma das rotas marítimas mais estratégicas do mundo. A navegação havia sido normalizada após a assinatura de um acordo preliminar de paz entre Washington e Teerã, no mês passado, mas a retomada das hostilidades voltou a colocar a região em estado de alerta.
De acordo com a Press TV, o fechamento da passagem seria adotado caso o governo americano cumpra as ameaças feitas por Trump durante a cúpula da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), realizada em Ancara, na Turquia.
Segundo o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, Teerã “não responderá à vulgaridade com vulgaridade, mas com ações”, incluindo medidas “firmes”.

