IníciosaúdeComo mulher com histórico familiar preveniu câncer após TPM e ansiedade

Como mulher com histórico familiar preveniu câncer após TPM e ansiedade

Publicado em

spot_img

Uma mulher que enfrentava manifestações intensas de TPM (Tensão Pré-Menstrual) e ansiedade conseguiu prevenir chances de câncer após uma investigação profunda dos seus sintomas. A paciente preferiu não ter a identidade revelada.

Ela passava por alterações de humor, irritabilidade, distúrbios do sono e fluxo menstrual aumentado. Todos esses problemas foram somados a uma preocupação ainda maior: sua mãe havia sido diagnosticada com câncer de mama.

Embora os sintomas não indicassem a presença da doença, o histórico familiar levantou uma dúvida comum entre muitas mulheres: seria possível identificar riscos biológicos antes do surgimento de um tumor? A resposta veio por meio de uma avaliação baseada em medicina de precisão: abordagem que combina informações genéticas, metabólicas e clínicas para compreender como cada organismo responde aos fatores de risco ao longo da vida.

Segundo o médico Pedro Andrade, pesquisador e fundador do Instituto Genoma, o objetivo não era prever se a paciente desenvolveria câncer, mas identificar possíveis vulnerabilidades que justificassem medidas preventivas mais direcionadas. “O foco era entender se existiam mecanismos biológicos associados aos sintomas apresentados e se havia fatores que mereciam acompanhamento mais próximo do ponto de vista preventivo”, explica.

Exames revelaram alterações relacionadas ao metabolismo hormonal

A investigação médica incluiu testes genéticos e análise metabolômica, tecnologia capaz de mapear moléculas produzidas pelo organismo e fornecer uma espécie de retrato bioquímico em tempo real.

Os exames identificaram níveis elevados de 8-hidroxidesoxiguanosina, marcador associado ao dano oxidativo do DNA, além de aumento da 4-hidroxiestrona, metabólito derivado do estrogênio que tem sido relacionado, em alguns estudos, a processos de estresse oxidativo e alterações celulares.

A análise genética também revelou variantes em genes envolvidos no metabolismo hormonal, sugerindo uma tendência do organismo a produzir maiores quantidades desses compostos e uma eficiência reduzida em determinadas vias de eliminação e detoxificação.

“Não significa que ela desenvolveria câncer. O que observamos foi um conjunto de fatores que apontava para uma suscetibilidade biológica que merecia atenção e acompanhamento”, afirma o especialista. Com base nos resultados, foi elaborado um plano individualizado envolvendo alimentação, atividade física, qualidade do sono, saúde intestinal, manejo do estresse e suplementação direcionada.

Seis meses depois, a paciente apresentou melhora significativa dos sintomas. Houve redução da TPM, maior estabilidade emocional, melhora do sono e diminuição do fluxo menstrual. Paralelamente, os marcadores laboratoriais relacionados ao estresse oxidativo e ao metabolismo estrogênico passaram a apresentar resultados mais favoráveis.

Para Andrade, o caso ilustra uma mudança importante na forma como a medicina vem encarando a prevenção. “Durante muito tempo a prevenção foi baseada em recomendações gerais. Hoje entendemos que cada indivíduo possui características biológicas próprias, o que permite estratégias mais personalizadas”, diz.

Genética e prevenção personalizada

Apesar dos avanços da genética, especialistas alertam que a presença de variantes genéticas associadas a determinados riscos não deve ser interpretada como uma sentença.

Os genes influenciam a forma como o organismo processa hormônios, responde à inflamação e interage com fatores ambientais, mas hábitos de vida continuam desempenhando papel fundamental.

Alimentação, sono, atividade física, controle do estresse e exposição ambiental podem modificar significativamente a forma como essas predisposições se manifestam ao longo da vida”, explica Andrade.

O crescimento das tecnologias de análise genética, metabolômica e biomarcadores vem impulsionando uma nova fase da medicina preventiva. Em vez de atuar apenas após o surgimento dos sintomas ou do diagnóstico, profissionais da área buscam identificar alterações precoces capazes de orientar intervenções individualizadas.

Segundo o pesquisador, a principal transformação não está em prever quem desenvolverá uma doença, mas em compreender riscos e vulnerabilidades com antecedência suficiente para promover mudanças capazes de impactar a saúde futura.

“Talvez o maior avanço da medicina moderna seja justamente a possibilidade de agir antes que os problemas apareçam, utilizando informações biológicas para construir estratégias preventivas mais eficazes”, conclui.

Veja a matéria completa aqui!

Últimas Notícias

Brasil x Noruega terá árbitro que levou atacante do Fluminense à loucura na Copa do Mundo

Partida acontece no domingo (5), às 17h (de Brasília), com transmissão ao vivo pela...

Saúde mental hoje têm desafios muito diferentes do que há 30 anos

Cada vez mais se fala sobre saúde mental e, com isso, aumentou também o...

Flávio intensifica agenda nos EUA e deixa estados brasileiros fora da pré-campanha

O senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) prepara a sexta viagem aos...

Veja Também

Brasil x Noruega terá árbitro que levou atacante do Fluminense à loucura na Copa do Mundo

Partida acontece no domingo (5), às 17h (de Brasília), com transmissão ao vivo pela...

Saúde mental hoje têm desafios muito diferentes do que há 30 anos

Cada vez mais se fala sobre saúde mental e, com isso, aumentou também o...