Erros individuais, oportunidades claras perdidas e escolhas questionáveis do treinador serão as explicações mais comuns e plausíveis para a derrota do Brasil ante a Noruega, além de aspectos emocionais e uma sequência incomum de perdas de atletas por lesões. Entretanto o fracasso na Copa do Mundo de 2026 tem uma história de quase quatro anos.
Não foi por acaso que a sempre admirada e temida seleção brasileira desta vez chegou à competição sem o favoritismo de edições anteriores. Desempenhos e resultados sofríveis já se acumulavam ao longo de um período de decisões desencontradas da Confederação Brasileira de Futebol (CBF).
Três técnicos passaram pelo comando da equipe até que o italiano Carlo Ancelotti enfim aceitasse a missão em 2025. Dificultou-se sobremaneira a tarefa já inglória de lidar com o declínio de Neymar, o principal jogador desde a década passada.
O Brasil iniciou a Copa sem escalações e sistemas de jogo devidamente testados, o que se somou às muitas ausências de titulares. Houve improvisos em série até a partida derradeira.
Há que evitar teses catastrofistas, costumeiras em momentos de frustração, mas enfrentar deficiências de longa data. Não parece coincidência que as seis eliminações consecutivas em Copas tenham se dado contra adversários europeus —e, nesta última, nem mesmo se tratava de uma grande força do futebol global.
Tampouco se pode ignorar a escassez de treinadores brasileiros em destaque mesmo no cenário doméstico. Os times mais vitoriosos do país na história recente, Flamengo e Palmeiras, são hoje dirigidos por portugueses.
Fazer bom papel em Mundiais seguirá fundamental para que a seleção brasileira se mantenha como uma das marcas mais valorizadas do esporte. A competição deixou de ser oportunidade única de testemunhar enfrentamentos entre os melhores jogadores do planeta, o que hoje os bilionários clubes europeus proporcionam de modo cotidiano, mas preserva seu encantamento.
Sua nova versão ampliada, com representantes de 48 países e mais uma rodada de disputas eliminatórias, oferece surpresas, personagens, emoções e contrastes que superaram dúvidas quanto à qualidade técnica e ao apelo da profusão de partidas iniciais.
Decerto o novo formato atende sobretudo a interesses políticos e comerciais da Fifa, mas, goste-se ou não, esses são fatores inerentes à popularidade inigualável do futebol —o que não reduz, porém, o vexame da suspensão de um jogador americano revista após lobby de Donald Trump.
O entretenimento que resta nas fases finais do torneio será, infelizmente, menor para os brasileiros. O selecionado nacional dispõe de recursos humanos, experiência, prestígio e paixão popular para fazer melhor figura e prosseguir entre as potências globais. O trabalho deve começar desde já, com a serenidade possível, mas sem acomodação.

