O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, determinou nesta quarta-feira (8) o corte de todo o comércio americano com a Espanha, durante coletiva de imprensa ao lado do secretário-geral da OTAN, Mark Rutte, na cúpula da aliança em Ancara, na Turquia.
”A Espanha é um parceiro terrível na OTAN. Não participa. Não paga. Não quero saber nada da Espanha. Cortem todo o comércio com a Espanha, por favor, incluindo as visitas”, disse Trump. “Não falem nem com eles. São uma causa perdida, pessoas ruins.” O presidente afirmou ter dado a instrução diretamente ao secretário do Tesouro, Scott Bessent.

Motivo da ordem
A Espanha é o único membro da OTAN que não assumiu o compromisso de elevar os gastos com defesa a 5% do PIB até 2035, meta aprovada na cúpula anterior da aliança. O país gastou 2,1% do PIB em defesa em 2025, ante 1,4% em 2021, avanço que Rutte reconheceu ao vivo, cortando a fala de Trump: “Você fez a Espanha pagar 2%. Eles deram um passo enorme no ano passado.” Trump ignorou a ponderação
O atrito com Madrid se acumulou ao longo de 2026. Em março, o governo socialista do primeiro-ministro Pedro Sánchez recusou o uso das bases militares de Rota e Morón, no sul do país, para as operações americanas contra o Irã, e fechou o espaço aéreo espanhol para aviões dos EUA envolvidos na guerra. Sánchez classificou a ofensiva como “intervenção militar injustificada e fora do direito internacional.”
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Reação dos mercados
Os títulos espanhóis, que já operavam em queda antes da coletiva, aceleraram o recuo com as declarações de Trump. O rendimento do bônus espanhol de dez anos subiu sete pontos-base, para 3,54%, e o índice IBEX 35 aprofundou as perdas, acumulando queda superior a 1% na sessão. O ETF iShares MSCI Spain recuava 5,7% nas negociações em Nova York após a declaração, segundo dados da sessão de março, quando Trump fez ameaça semelhante pela primeira vez.
Limites da ameaça
A capacidade de Trump de implementar o corte comercial de forma unilateral é juridicamente contestada. A Suprema Corte dos Estados Unidos anulou em decisão anterior o uso que o presidente fazia de poderes executivos para impor tarifas arbitrárias a outros países. Além disso, o comércio entre os EUA e a Espanha é regulado pelo acordo bilateral entre Washington e a União Europeia, o que significa que sanções contra Madrid podem desencadear uma resposta coletiva de Bruxelas.
O chanceler alemão Friedrich Merz, que havia se reunido com Trump na Casa Branca em março, já havia lembrado ao presidente que acordos tarifários são negociados com o bloco europeu como um todo, não com cada país individualmente.
O governo espanhol, por sua vez, minimizou a declaração. “A Espanha é uma potência exportadora da União Europeia e um parceiro comercial confiável para 195 países do mundo, entre eles os EUA”, disse o Ministério das Relações Exteriores. Trump não anunciou prazo nem detalhou os mecanismos pelos quais executaria o corte.
A declaração em Ancara é a segunda consecutiva em 2026. O presidente americano ameaçou suspender o comércio com a Espanha no início do ano, sem que nenhuma medida concreta tenha sido implementada desde a primeira ameaça, em março.

