A instalação de uma estátua de 11 metros de altura dedicada à figura conhecida como “Mãe Rainha das Trevas”, no Ceará, transformou-se no centro de uma intensa controvérsia nacional. A obra, idealizada por uma sacerdotisa satanista local, dividiu opiniões na internet e reabriu discussões sobre os limites da liberdade de crença garantida pela Constituição Federal.
Em entrevista concedida ao portal Bacci Notícias, a líder religiosa explicou que o monumento segue todos os trâmites legais do município e comparou a obra a outros marcos religiosos tradicionais do estado. Segundo a sacerdotisa, o direito de erguer a estrutura possui o mesmo respaldo jurídico que autorizou grandes monumentos cristãos no Ceará.
“Do jeito que a minha imagem está legalizada, está também a imagem de São Francisco lá no Canindé, está a imagem de Padre Cícero, está um monumento imenso que tem ali na Igreja de Fátima, imagem aqui dentro do meu município de mais de 20 metros”, declarou a sacerdotisa.
Diálogo e liberdade constitucional
Diante da repercussão e dos ataques recebidos após a divulgação das imagens da estátua, a sacerdotisa afirmou que a sua doutrina prega a convivência harmoniosa entre diferentes correntes de fé, incluindo a católica e a evangélica.
“Às vezes é muito fácil nós, da crença satanista, entender o sentido da palavra respeito, porque a nossa religião nos ensina: respeite tudo que é diferente do seu crer”, afirmou durante a entrevista.
O caso reacendeu o debate sobre o espaço público e o exercício da liberdade religiosa no país. Enquanto críticos questionam o impacto visual e simbólico da obra na região, defensores do monumento sustentam que o Estado brasileiro é laico e que nenhuma vertente espiritual deve sofrer restrições legais se cumprir as exigências administrativas locais.

