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Negócios militares dão o tom na cúpula da Otan – 07/07/2026 – Mundo

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Na segunda reunião de cúpula da Otan desde a volta de Donald Trump ao poder, no ano passado, a aliança militar ocidental reforçou a guinada de rearmamento de seus membros europeus com o distanciamento do presidente americano do clube fundado por seu país em 1949.

Na abertura da cúpula nesta terça-feira (7) na capital turca, Ancara, o secretário-geral da Otan disse que “o zumbido das máquinas precisa se transformar em um rugido”, ao defender a escalada na produção de material de defesa no continente.

Como de costume, o holandês Mark Rutte nomeou sua motivação: Rússia, China e Coreia do Norte. “Não temos o luxo do tempo. Devemos permanecer vigilantes. Esses países estão trabalhando cada vez mais juntos, e isso deveria nos preocupar a todos, porque garanto que eles não têm nossos melhores interesses em mente”, disse.

Subjacente aos adversários há o inimigo íntimo da Otan, Trump, que participa da cúpula, para alívio dos aliados. Afinal, o presidente havia chamado a aliança de “covarde” e de “tigre de papel” por sua falta de apoio à guerra lançada com Israel contra o Irã, no fim de fevereiro.

Desde seu primeiro mandato (2017-21), o republicano fustiga os europeus pela dependência dos EUA. A anexação da Crimeia em 2014 e a invasão russa de 2022 mudaram de vez o cenário, e hoje todos os 32 membros da Otan cumprem a meta mínima de gastar 2% de seu PIB com defesa.

Na cúpula de 2025, Rutte agradou Trump e se comprometeu a elevar isso a 5% em dez anos, sendo que 3,5% seriam dedicados a armamentos em si e o restante, a infraestrutura militar. O holandês já disse que os aliados europeus e o Canadá haviam elevado o gasto com defesa em 20% no ano passado, chegando a US$ 570 bilhões.

O montante ainda é uma fração do que Washington, a maior potência militar da história, gasta. De todo modo, a aceleração do gasto europeu é a maior desde a Guerra Fria, e a indústria de armas comemora.

Nesta terça, foram anunciados diversos negócios na cúpula. O mais vistoso é a compra, pela aliança, de dez aviões-radar GlobalEye da sueca Saab, a mesma fabricante do caça Gripen, usando no Brasil. Eles superaram a americana Boeing na disputa.

Cada GlobalEye custa até US$ 450 milhões, e os suecos disseram que podem começar a entregá-las a partir de 2030. Além disso, Rutte anunciou a compra de cinco drones de alta altitude MQ-4C Triton americanos e a montagem de uma frota continental de aviões de transporte e reabastecimento centrada no Airbus A-400M.

A gigante alemã Rheinmetall assinou, por sua vez, um memorando para produzir mísseis balísticos ATACMS da americana Lockheed Martin, algo inédito que visa reforçar as defesas europeias e da Ucrânia.

Por fim, Rutte anunciou um plano quinquenal para criar uma rede de defesa contra drones no continente, estimado em US$ 40 bilhões. Como mostrou um estudo do Instituto Internacional de Estudos Estratégicos, de Londres, a Rússia foi bem-sucedida em uma campanha para testar as fragilidades europeias no setor nos últimos anos.

Analistas também esperam que Trump anuncie a volta da Turquia ao programa do caça de quinta geração F-35, do qual Ancara foi expelida em 2019 pelo próprio americano após comprar sistemas antiaéreos russos S-400.

A previsão irritou o premiê israelense, Binyamin Netanyahu, que vê a Turquia como grande rival estratégica no Oriente Médio. Hoje, só o Estado judeu opera os avançados F-35 na região, embora a Arábia Saudita tenha tido uma compra aprovada por Trump.

Os EUA temiam que a presença do sistema adversário no mesmo ambiente de seu mais moderno avião pudesse revelar a Moscou segredos acerca das capacidades furtivas ao radar do caça, sem contar o mal-estar de ver um membro da Otan operando baterias antiaéreas do maior rival da aliança.

De seu lado, o Kremlin disse que estará acompanhando a cúpula com atenção. O foco deverá ser a promessa da manutenção de ajuda europeia à Ucrânia, estimada em US$ 80 bilhões neste ano.

Os EUA, sob Trump, pararam de financiar os ucranianos. Segundo o monitor do Instituto Kiel, da Alemanha, desde o fim de janeiro de 2025, quando o republicano voltou à Casa Branca, nenhum dólar foi enviado diretamente para Kiev —os EUA criaram um esquema no qual a Otan compra armas americanas de seus estoques e as repassam.

Nesta cúpula, Trump irá se encontrar com o presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, para debater o futuro das negociações com os russos e a anemia profunda de mísseis de defesa antiaérea, exposta em dois mega-ataques de Moscou a Kiev, que mataram 50 pessoas em menos de uma semana.

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