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O Irã voltou a atacar navios próximo ao Estreito de Ormuz apesar do acordo com os Estados Unidos para reabrir a nevrálgica rota marítima, por onde passam 20% do petróleo e gás consumidos no mundo.
A empresa britânica de rastreamento marítimo UKMTO declarou nesta terça-feira, 7, que um petroleiro foi atingido na véspera por um projétil desconhecido próximo a Omã, e que a explosão provocou um incêndio. Não houve relatos de vítimas.
Enquanto isso, o jornal americano The Wall Street Journal reportou que a Guarda Revolucionária Islâmica, exército ideológico do regime dos aiatolás, disparou contra dois navios comerciais, algo confirmado também pelo portal de notícias Axios, com base em fontes do governo americano.
Em paralelo, a agência de notícias estatal iraniana Fars informou, citando fontes não identificadas, que um petroleiro do Catar foi atacado ao tentar transitar pelo Estreito de Ormuz “após ignorar repetidos avisos”.
“Nenhuma autoridade oficial confirmou ou negou esses relatos até o momento”, acrescentou a agência.
Tensão nas negociações
O ataque ocorreu horas antes do presidente americano, Donald Trump, chegar a uma importante cúpula da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) em Ancara, na Turquia, onde a navegação pelo estreito será uma das principais pautas, e enquanto o Irã realiza os ritos fúnebres para enterrar seu falecido líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei, assassinado nos bombardeios conjuntos de Estados Unidos e Israel no primeiro dia da guerra, em 28 de fevereiro.
Teerã suspendeu as frágeis negociações com Washington — que visam alcançar um acordo duradouro para encerrar o conflito que incendiou o Oriente Médio por quatro meses — durante os funerais.
Na segunda-feira, Trump disse a repórteres que os Estados Unidos chegariam a um pacto definitivo com o Irã ou “terminariam o serviço” por via militar. Nesta terça, o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, respondeu: em uma postagem no X (ex-Twitter) acompanhada de fotos de multidões prestando homenagens a Khamenei, ele alertou que as negociações “não começarão se as ameaças (americanas) continuarem”. O chanceler lembrou que o memorando de entendimento assinado com Washington para abrir as tratativas estabelece o fim de todas as frentes de batalha, inclusive no Líbano, onde as forças israelenses continuam realizando ataques nesta semana.
Outra condição, claro, é que o Irã garanta a passagem segura e livre de navios comerciais pelo Estreito de Ormuz.
Moeda de troca
Autoridades iranianas têm usado o estreito como moeda de troca nas negociações. Desde a assinatura do memorando de entendimento, há mais de duas semanas, um número maior de navios conseguiu atravessar a passagem; muitos deles seguem uma rota próxima a Omã, país que compartilha a gestão da hidrovia.
Enquanto isso, Teerã tem tentado fortalecer sua posição de negociação ao afirmar que as tripulações precisam de permissão para atravessar Ormuz seguindo rotas aprovadas por autoridades iranianas. No domingo 5, a Guarda Revolucionária Islâmica alertou que sua Marinha havia mobilizado barcos de patrulha para bloquear a “rota de Omã”.
Muitas embarcações seguem inseguras e o tráfego pelo estreito não registrou aumento significativo desde o acordo provisório entre Teerã e Washington, segundo a UKMTO, que alertou para a persistência de riscos na região.
“O risco permanece menor do que no período anterior ao memorando de entendimento; no entanto, a intenção e a capacidade do Irã de realizar ações hostis deliberadas persistem, e o ambiente continua a exigir vigilância redobrada, apesar da ausência de uma escalada recente”, afirmou o órgão no último domingo.
Entre os dias 3 e 5 de julho, 108 navios atravessaram Ormuz, de acordo com a agência de rastreamento marítimo MarineTraffic. Antes da guerra, mais de 120 embarcações transitavam pela rota diariamente.

