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Milhões de iranianos se aglomeraram nas ruas da capital Teerã nesta segunda-feira, 6, para o cortejo fúnebre do ex-líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, assassinado nos ataques conjuntos de Estados Unidos e Israel que deram início a uma guerra no Oriente Médio em 28 de fevereiro.
A grandiosidade da marcha — independentemente de como tenha sido organizada — representa uma reviravolta extraordinária para um país que, há apenas sete meses, era tomado por protestos populares nos quais milhares de pessoas pediam o fim do regime dos aiatolás e, em reposta, foram mortas pelas forças de segurança do governo. Analistas consideram que a procissão é uma espécie de monumento ao fracasso dos objetivos iniciais do presidente Donald Trump, que esperava que o conflito levasse à queda da teocracia de turbante instalada no poder desde a revolução islâmica de 1979.

A multidão deslocou-se de leste a oeste, atravessando Teerã da Praça da Revolução até a Praça Azadi, após o funeral de Estado que ocupou os dois dias do final de semana na grande mesquita Mosalla, em Teerã. Participantes se vestiram de preto e levaram cartazes com o slogan “Nós nos reergueremos”; outros estavam equipados com a bandeira do Irã e fotos de Khamenei.
O metrô de Teerã, lotado de pessoas tentando se juntar à procissão, foi tomado por cantos: “Hoje é dia de luto, hoje é dia de luto. O mártir Khamenei está diante de Deus hoje”.

Ausência relevante
Na véspera, durante o funeral, iranianos enlutados escreveram a frase “Matem Trump” no palco, expressando um desejo coletivo de vingança que parece borbulhar entre a população também na marcha desta segunda. A expectativa é que o cortejo fúnebre dure entre 10 e 12 horas, dependendo do número de participantes. Era previsível que o evento atraísse multidões, uma vez que apenas um número limitado de pessoas conseguiu entrar na imensa mesquita Mosalla.

No domingo, toda a liderança iraniana — reduzida por sucessivos bombardeios ao longo da guerra, em especial operações direcionadas de assassinato por parte de Israel — compareceu à missa da manhã, com a única exceção do novo líder supremo, Mojtaba Khamenei, filho do falecido antecessor. Também ausente do cortejo, autoridades iranianas sustentam que ele não está incapacitado devido ao ataque ao prédio da presidência que matou seu pai e o deixou ferido, mas que não apareceu devido a preocupações com sua segurança.
No entanto, seus três irmãos compareceram aos rituais fúnebres. Graças a uma operação bem organizada pelas autoridades estatais e pelo exército de voluntários civis — que forneceram alimentação e abrigo às pessoas presentes —, não houve mortes; um contraste com funerais de Estado anteriores que rapidamente descambaram para o caos, incluindo o do líder supremo anterior, Ruhollah Khomeini. Mais de 10 milhões acompanharam o cortejo de seu caixão em 1989 (um recorde do Guinness Book), mas uma confusão levou à morte de 10 mil pessoas.
Demonstração de unidade nacional
O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, elogiou o comportamento da multidão e expressou a esperança de que as imagens vindas do Irã levassem o Ocidente a refletir sobre a sanha de transformar o país de fora para dentro. “Se eu quiser dizer algo em persa, apenas quem fala a língua entenderá; mas o comportamento e a presença do povo são compreendidos pelo mundo todo”, declarou.

Rejeitando a alegação de Trump de que o pesar demonstrado no funeral não passava de “lágrimas falsas”, Pezeshkian acrescentou que o luto “não é algo que se possa criar por ordem, as lágrimas nascem da dor e da tristeza que surgem no íntimo de uma pessoa, e o mundo vê essa verdade”.
Mais de 300 jornalistas estrangeiros, além dos correspondentes internacionais sediados no Irã, receberam vistos especiais para cobrir o funeral e a demonstração de unidade nacional. O presidente reformista, eleito há dois anos, completou que o ritual fúnebre não seria uma despedida, mas “um pacto para seguir em frente”.
“Ao iniciar essa guerra, o inimigo alterou a geografia da região, mas, na realidade, fortaleceu a unidade e a coesão entre os muçulmanos e até mesmo despertou a consciência dos povos do mundo para as suas alegações sobre direitos humanos”, concluiu.

