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Decisão da Fifa de anular suspensão de Balogun após intervenção de Trump gera crise e revolta global na Copa do Mundo

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Redação Tribuna do Norte




17h55

Foto: Divulgação

A Copa do Mundo de 2026 vive sua maior crise diplomática e esportiva. Neste domingo (5), a FIFA anunciou a suspensão da punição automática do atacante Folarin Balogun, dos Estados Unidos, permitindo que o artilheiro enfrente a Bélgica pelas oitavas de final nesta segunda-feira (6). A decisão ocorre após uma intervenção direta do presidente norte-americano, Donald Trump, e levanta questionamentos sobre a integridade do torneio.

O lance da discórdia e a expulsão

Balogun, destaque do Monaco, havia sido expulso aos 64 minutos da vitória dos EUA por 2 a 0 contra a Bósnia e Herzegovina, no dia 1º de julho. O árbitro brasileiro Raphael Claus aplicou o cartão vermelho direto após revisão do VAR, comandado pelo venezuelano Juan Soto, que identificou uma entrada violenta no tornozelo do zagueiro Tarik Muharemovic.

A decisão foi duramente criticada pelo técnico Mauricio Pochettino e pelo próprio jogador, que classificaram a punição como excessiva. Tradicionalmente, o regulamento da FIFA (Artigo 10.5) prevê suspensão automática para cartões vermelhos, sem direito a recurso.

Manobra jurídica e o peso de Donald Trump

A reviravolta aconteceu via Artigo 27 do Código Disciplinar da FIFA, que permite a suspensão parcial ou total de medidas disciplinares sob um período probatório. A FIFA alegou que a punição de Balogun ficará suspensa por um ano.

O cenário ganhou contornos políticos quando Donald Trump confirmou ter telefonado para o presidente da FIFA, Gianni Infantino. No Salão Oval, Trump declarou: “Eu sou quem os fez fazer isso”, elogiando a medida como “brilhante” e atacando o árbitro Raphael Claus, a quem chamou de “suspeito”. Infantino confirmou o contato, mas defendeu a independência dos órgãos jurídicos da entidade.

Revolta na Bélgica e críticas da UEFA

A Real Associação Belga de Futebol (RBFA) reagiu com indignação, chamando a medida de “perplexa” e protocolando um recurso formal — já rejeitado pela FIFA. O técnico belga, Rudi Garcia, ironizou a situação: “Não sabia que 5 de julho era o Dia da Mentira para a FIFA”.

A UEFA também emitiu um comunicado contundente, afirmando que a FIFA “ultrapassou uma linha vermelha” e que a decisão cria um “precedente perigoso” para o futebol mundial. Sepp Blatter, ex-presidente da entidade, reforçou o coro: “Cartões vermelhos não são revertidos por telefonemas políticos”.

Defesa de Raphael Claus e precedentes

No Brasil, a CBF e a Federação Paulista de Futebol (FPF) saíram em defesa de Raphael Claus, reforçando sua trajetória ética e técnica. Embora existam precedentes para o uso do Artigo 27 — como o caso de Cristiano Ronaldo em 2025 e a histórica liberação de Garrincha na Copa de 1962 —, críticos pontuam que a anulação de uma suspensão durante o torneio fere a isonomia da competição.

Com a bola prestes a rolar para EUA e Bélgica, o foco sai das quatro linhas e recai sobre a credibilidade da FIFA, em um episódio que promete redefinir as relações entre política e esporte na era moderna.

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