Principal índice do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa encerrou o primeiro semestre com alta de 6,77% no acumulado parcial de 2026.
O período foi de grande retorno na Bolsa de Valores do Brasil, que chegou a ultrapassar a marca dos 198 mil pontos em abril, fazendo os investidores sonharem com a marca dos 200 mil pontos.
De lá para cá, porém, o Ibovespa vem registrando uma sequência de meses negativos. Com os 172.024,12 pontos registrados ao final do pregão de terça-feira (30), o índice apurou perda de 1,01% no mês de junho.
O impulso inicial registrado pelo mercado “veio com múltiplo do Ibovespa descontado, uma necessidade de diversificação por parte dos investidores globais e uma animação com mercados emergentes logo na virada do ano”, relembra Rafael Espinoso, estrategista e portfólio manager da GCB.
Em janeiro, a B3 registrou entrada líquida recorde de R$ 26,31 bilhões. Dali em diante, porém, o fluxo recuou, até que em maio foi registrada a maior saída de recursos da bolsa desde 2022.
Perspectivas
E no mercado, há ceticismo de que a bolsa possa recuperar o fôlego no segundo semestre e voltar a decolar como na metade inicial do ano.
O ímpeto diminuiu e houve uma “redução de estrangeiros em todos os ativos”, segundo David Beker, chefe de Economia no Brasil e Estratégia para América Latina do BofA (Bank of America), que ressalta que o capital internacional era o principal motor da bolsa.
Para ele, o cenário externo macroeconômico incerto é o principal culpado pela mudança de rumo do investidor estrangeiro.
O economista observa que os fluxos de capital não têm favorecido o Brasil, mas que isso se dá mais por fatores internacionais – expectativa de alta de juros nos Estados Unidos, alocações em inteligência artificial e arrefecimento da tensão no Oriente Médio, que reduziu os preços do petróleo além do esperado – do que domésticos.
E, negativamente para a bolsa, cita que não há expectativas de grandes gatilhos para que o mercado brasileiro retome o rali visto anteriormente.
O principal fator que poderia retomar a atratividade da renda variável brasileira é, segundo Virgilio Lage, especialista da Valor Investimentos, a política monetária.
Se os juros caem, o apetite a risco cresce frente aos retornos menores que a renda fixa proporcionaria. Contudo, um cenário com Selic mais baixa no Brasil ainda parece distante.
O mercado acredita que a taxa básica de juros deve se manter acima de 11% até a metade de 2028, hoje a data mais distante para a qual o BC (Banco Central) apura as expectativas do boletim Focus.
E para além das expectativas sobre juros, “permanece o risco com a situação fiscal, as eleições, a desaceleração da economia chinesa e o comportamento das commodities“, ressalta Lage.
A incerteza também vale para o câmbio. O dólar abriu em R$ 5,48 o ano, e chegou a operar abaixo de R$ 5 entre abril e maio. Desde então, voltou a subir.
Questionado sobre as perspectivas, Emerson Jr, head de Offshore da Convexa Investimentos, destaca que “estamos neríodo ruim do ponto de vista fiscal, foco está voltando para isso e há incerteza sobre eleição”.
Para Rafael Espinoso, há, porém, fundamentos que podem favorecer o país nos últimos seis meses do ano.
“Voltamos a operar num múltiplo P/L descontado, com um câmbio ainda bom para o estrangeiro e um eleitoral apertado, com momento pró-mercado na América Latina.”

