O governo da Ucrânia divulgou nesta terça-feira (4) um vídeo mostrando um pequeno drone russo caçando um vendedor de rua na cidade de Kherson. O homem tenta fugir, é cercado e o aparelho explode. Ele sobreviveu com ferimentos.
Segundo o chanceler ucraniano, Andrii Sibiha, o incidente ocorreu nesta terça e é uma prova de crime de guerra. As leis internacionais que regem conflitos proíbem ataques deliberados a civis desarmados, como era o caso do homem, que aparentava ter entre 50 e 60 anos.
Ele estava junto a uma van com produtos agrícolas, algo bastante comum na região, que fica no sul da Ucrânia. Sibiha qualificou de sadismo o cerco que o drone faz ao civil, que implora em gestos para não ser alvejado.
A imagem já foi vista diversas vezes com soldados de ambos os lados, mas casos envolvendo civis são mais raros. Há inclusive vídeos mostrando drones desistindo de ataques quando seus operadores verificam que o alvo é civil.
Kherson, capital homônima da província, chegou a ser ocupada pelos russos, mas agora é uma das cidades mais afetadas pelo conflito, dado que a linha de frente fica junto ao rio que a separa do território dominado por Moscou.
O incidente é mais um na escalada de violência na guerra iniciada pela invasão de Vladimir Putin em 2022. Ainda na Ucrânia, três pessoas morreram na cidade de Sumi, no norte, após um ataque com bombas guiadas russas.
Já na Rússia, a nova campanha ucraniana contra centros de distribuição de produtos para civis seguiu nesta madrugada, com 4 ataques com drones —2 deles contra a gigante do varejo online Wildberries, a “Amazon russa”, que já conta 18 depósitos atingidos ou destruídos e bilhões de rublos de prejuízo.
Em um ataque, contra um depósito de dono não revelado na região de Moscou, cinco pessoas foram mortas. Também foi alvejado, pela primeira vez, um centro de produtos da distribuidora de alimentos Lenta, que deixou um ferido.
Kiev nega estar alvejando instalações civis, dizendo que a indústria de construção de drones do rival usa os serviços de empresas como a Wildberries, mas o objetivo é também psicológico. Essa ofensiva aumenta a pressão sobre o governo Putin, que já lidava com a falta de combustível devido aos ataques às suas refinarias.
Nesta terça, o governo do Cazaquistão confirmou que está negociando a construção de um megacentro de distribuição da Wildberries no país, para atender o mercado russo a partir de uma posição protegida. A empresa promete ressarcir consumidores, mas há dúvidas sobre sua capacidade para tal.
Já na frente militar da guerra, a Rússia afirmou ter tomado mais uma cidadezinha nesta terça, desta vez na região de Kharkiv (norte). Com a falta de perspectiva de negociações de paz desde que os Estados Unidos voltaram sua atenção à guerra no Irã, as linhas de frente seguem relativamente estáveis, com avanços pontuais e lentos por parte de Moscou.

