Um ano depois de sua morte, Luis Fernando Verissimo dá demonstrações de que não tem qualquer intenção de ser relegado ao esquecimento. O grupo Companhia das Letras, que edita um dos maiores cronistas brasileiros de todos os tempos, está reformulando a maneira como sua obra é publicada.
A partir de agora, o autor das “Comédias da Vida Privada” terá todos os seus livros editados na Alfaguara, onde já estavam seus romances, saindo de vez da Objetiva.
“Ele era a grande estrela da editora, mas a Objetiva há muitos anos é um selo de não ficção”, diz sua editora Daniela Duarte, que estranhava abrigar os textos do cronista ao lado, por exemplo, de best-sellers da economia, como Daniel Kahneman, e da psicologia, como Daniel Goleman.
Não há pressa em reeditar sua obra toda no novo selo, mas a estreia já será em outubro com o inédito “Crônicas de Domingo”, que reúne textos publicados nos jornais O Globo e O Estado de S. Paulo de 2016 a 2020, logo antes de o escritor aposentar a pena.
A capa do livro, organizado por seu filho Pedro Verissimo, terá uma ilustração feita pelo próprio autor —a última que fez em vida, segundo a família—, compondo um volume que a editora chama de “muito sentimental”.
A ideia é que usar ilustrações do próprio autor em suas capas se torne uma praxe, como já foi feito nas coletâneas “Ironias do Tempo” e na edição mais recente, póstuma, das “Comédias da Vida Privada”.
A nova fase na Alfaguara deve resgatar mais do Verissimo ilustrador, já que há planos de trazer de volta as tirinhas de “As Cobras” e os desenhos de “Poesia numa Hora Dessas?”, volumes há muito esgotados.
A editora e a família do autor, enquanto isso, vão garimpando inéditos e pensando novas maneiras de reapresentar ao público um autor inesgotável, atual até depois da morte.
RENOVAÇÕES O prêmio Booker, maior reconhecimento da literatura em inglês, divulgou seus 13 semifinalistas na semana passada, e só um tinha contrato para sair no Brasil: “The Things We Never Say”, da americana Elizabeth Strout, que já ganhou o Pulitzer por “Olive Kitteridge”. O livro será editado no próximo semestre pela Autêntica, com tradução de Sara Grünhagen. E a Âyiné anuncia agora que comprou os direitos de “The Renovation”, romance de estreia do turco-americano Kenan Orhan. A obra, que usa do absurdo para contar a história de uma mulher que acaba conectando sua casa a uma prisão turca após a reforma de um banheiro, deve sair também em 2027 com tradução de Daniella Domingues.
BONDE DO TIGRINHO O geógrafo Kauê Lopes dos Santos já tem engatilhado um próximo livro na editora Fósforo para 2027, após o recente “Parcelado”, sobre a relação entre crédito e consumo nas periferias brasileiras. A nova obra do professor da Unicamp será sobre o endividamento pelas bets, a mais nova promessa de dinheiro rápido para a população. A partir de entrevistas com apostadores e análises econômicas, ele costura histórias da experiência de endividamento com a da indústria que a produz.
BOMBAS E FUROS O jornalista Leão Serva vai lançar em setembro um livro sobre suas cinco décadas de trabalho na imprensa. “Como se Proteger de uma Granada”, que sai pela editora Matrix, se propõe a relatar desde a cobertura de conflitos armados pelo mundo —ele foi correspondente internacional da Folha, onde também atuou como secretário de Redação— até os debates eleitorais que mediou na TV Cultura —ele deixou a empresa, onde foi diretor de jornalismo, no ano passado. A ideia é misturar o tom autobiográfico com uma reflexão contemporânea sobre os conflitos da cobertura jornalística.
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