Equipes do Brasil que atuam nas áreas atingidas pelos terremotos devastadores na Venezuela se juntaram, nesta sexta-feira (3), a uma operação de busca após pedidos feitos por um brasileiro-venezuelano que procura o pai desaparecido na região de La Guaira, a mais impactada pelos sismos.
Como mostrou a Folha na quinta-feira (2), Félix Tovar, 70, é considerado desaparecido desde o último dia 24, quando ocorreram os tremores. Seu filho Daniel Medina, 28, brasileiro nascido na Venezuela, tem se mobilizado do exterior para buscar informações e insumos.
Em resposta aos apelos por ajuda, bombeiros e agentes da Defesa Civil do Estado de São Paulo trabalham na remoção dos escombros de uma padaria que desabou em La Guaira, onde Tovar pode estar soterrado.
Segundo as equipes brasileiras, o filho fez esforços para mapear os deslocamentos do pai e reuniu informações para identificar onde ele havia sido visto pela última vez. Com base nessas informações, os socorristas começaram a operação. Os trabalhos, dizem, incluem a remoção dos destroços e a análise da estrutura colapsada.
Para apoiar a operação, a equipe diz ter instalado uma base avançada, coordenada pelo tenente Ramatuel Silvino. “A estrutura conta com internet via satélite, gerador de energia e placas solares levados pela missão brasileira, garantindo conectividade e fornecimento de energia para as equipes que atuam no terreno”, diz trecho de comunicado divulgado pelos brasileiros.
De acordo com o tenente, não há previsão para o encerramento das buscas. As equipes permanecerão mobilizadas enquanto houver possibilidade de localizar o desaparecido ou de obter novas informações que possam auxiliar na operação.
“A ocorrência reforça o caráter humanitário da missão brasileira na Venezuela, que além das avaliações estruturais e do apoio técnico às autoridades locais, tem concentrado esforços em ações diretamente voltadas à busca de desaparecidos e ao atendimento das famílias afetadas pelo desastre”, afirma ainda a nota.
Félix Tovar é venezuelano e tem residência permanente no Brasil, para onde emigrou com a família há quase 20 anos. O empresário dividia-se entre os dois países.
Desde o dia da tragédia, Daniel e a irmã, Elibel, 38, têm se mobilizado para tentar localizar o pai. Moradora do Chile, ela viajou à Venezuela e afirmou que, desde o primeiro dia, a família conta apenas com a ajuda de voluntários, sem ter recebido apoio do Estado.
Félix se preparava para viajar ao Chile, onde reencontraria a filha e o neto. Como embarcaria pelo Aeroporto Internacional Simón Bolívar, localizado próximo a La Guaira, estava hospedado na cidade. Segundo o recepcionista da pousada onde ele estava, o homem havia saído para ir à padaria poucos minutos antes dos tremores.
Mais de uma semana após os sismos, parte dos venezuelanos critica a resposta do regime, considerada lenta e insuficiente. Em solidariedade ao país vizinho, o ministro da Defesa brasileiro, José Múcio, foi à Venezuela e, na terça (30), disse que a ajuda emergencial seria ampliada e também que existe disposição para contribuir com a reconstrução da Venezuela após os terremotos gêmeos da semana passada.
Múcio disse que ao menos 20 dias são necessários para que os venezuelanos comecem a sinalizar como Brasília poderia ajudar na reconstrução. O ministro da Defesa venezuelano, Gustavo González López, por sua vez, agradeceu pela presença das equipes de resgate internacionais. Vários países enviaram ajuda, incluindo equipes, centenas de cães farejadores e mantimentos para doação.
No total, 2.645 pessoas foram declaradas mortas pelo regime venezuelano até esta sexta. Ainda segundo as autoridades, mais de 12 mil pessoas ficaram feridas, e outras milhares estão desalojadas.
Na semana passada, as Nações Unidas estimaram que até 50 mil pessoas estavam desaparecidas, o que indica que o número de mortos deve aumentar à medida que as equipes de resgate avançam com as operações.

