Redação Tribuna do Norte
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A seleção da Argentina estava morta. E eu vi Lionel Messi perambulando no gramado em estado de trauma pós-pênalti desperdiçado. Não acertava um drible nos marcadores do Egito. Mas o futebol, como ensinaria Nelson Rodrigues, tem dessas indecências em que os mortos, de vez em quando, levantam-se do caixão para assustar a própria torcida e marcar gols.
Faltavam poucos minutos em Dallas e o clima de perda lembrava uma morte em novembro de 1963. O Egito vencia por 2 a 0 e a seleção albiceleste caminhava para uma dessas tragédias que os argentinos conhecem tão bem, porque são um povo que transformou a melancolia em tango e a saudade em pátria.
O estádio, na cidade que guarda o fantasma do assassinato de um presidente, parecia pronto para acolher mais uma tragédia. Então aconteceu o impossível. E o impossível no futebol sul-americano é apenas um disfarce do destino.
Após quase 40 minutos de tentativas fracassadas, a Argentina diminuiu. E logo depois empatou num gol quase involuntário de Messi, um arremate de chicote, abrindo escala na perna esquerda. Até então ele não acertara um chute.
A torcida que sofria roendo unhas e traumas antigos, acordou de repente como zumbis se erguendo dos túmulos. E quando todos já se preparavam para aceitar o empate como uma esmola, surgiu o terceiro golpe, o golpe definitivo.
Um gol nos acréscimos atingiu os egípcios como uma punhalada luminosa que transformou a derrota em vitória por 3 a 2. Acho que aquilo não foi apenas uma virada. Desconfio numa insurreição dos deuses ou num toque de Maradona.
Foi como se, das arquibancadas invisíveis do universo, uma mão tivesse empurrado a bola e os corações. Como se a sombra de Diego, eterno capitão das causas perdidas, passeasse pelo gramado do estádio de Dallas fumando seu eterno charuto imaginário e murmurasse nos ouvidos dos jogadores.
Mergulhado na alma, na literatura e na música dos Hermanos, eu pensei captar a fala assombrosa de Maradona: “Não se rendam. Nós, os argentinos, não nascemos para morrer em silêncio ou entregar os pontos sem agredir”.
O uruguaio Eduardo Galeano, que dizia que o futebol é a mais importante das coisas menos importantes, pintou no meu pensamento. Ele achava que um jogo podia virar literatura, ópera e em milagre. E foi o que vi naquele jogo.
Sou um fã ardoroso e incondicional de Messi; mas estava atento à sua invisibilidade diante do Egito. Até avaliei que o pênalti perdido e os erros de dribles e lançamentos permitiriam uma substituição. Afinal, são 39 anos.
Mas o futebol adora os heróis improváveis, adora o soldado desconhecido que aparece no último instante para mudar a história. Como nas antigas batalhas em que um cavaleiro solitário rompe o cerco e salva um reino condenado.
E aí o herói ressuscitou, o soldado deu as caras, o cavaleiro tentou um último galope. A Argentina, acuada, sangrando, cercada pelo relógio e pelo desespero, encontrou em si mesma uma reserva secreta de raça e coragem.
Talvez os argentinos joguem assim porque conhecem a tristeza. Conhecem as crises, os colapsos, as derrotas políticas e econômicas. Conhecem o gosto amargo da perda. E justamente por isso cultivam uma fé mais que obstinada.
Nenhum povo do continente sabe sofrer como eles. E nenhum sabe transformar sofrimento em épico com a mesma elegância. E atualmente, no centro de tudo, está Lionel Messi, o arquétipo de um pequeno super-homem.
Não importa se tocou na bola dez ou cem vezes. Sua presença altera a geografia do campo. É uma espécie de gravidade secreta. Os jogadores orbitam ao seu redor como planetas. Há nele algo que escapa à análise tática. Ele já não pertence apenas ao futebol; pertence à mitologia, ao sacro. Se Maradona foi um deus de barro, rebelde e humano, Messi parece uma constelação. Sua genialidade já não cabe em estatísticas nem em comparações.
É infinita porque amplia as possibilidades do impossível. Enquanto ele está em campo, a derrota nunca consegue ser definitiva. E quando o terceiro gol entrou, a torcida argentina explodiu numa catarse antiga, pagã, quase religiosa.
Dallas e o mundo viram os abraços, as lágrimas, ouviram os gritos, os soluços, o choro de Messi. Talvez os deuses do futebol tenham dito a ele que o impossível é apenas um adiamento da esperança. O futebol, como as religiões, pode forjar milagres. E ontem foi assim.
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Ainda ardem as chamas no rescaldo de uma delegacia após uma esposa magoada incendiar o ambiente “por causa de um causo” do marido fora do casamento. O love affair que gerou a ira envolveu duas patentes superiores.
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Segue a operação de camuflagem depois de um frisson em poderoso gabinete da aldeia. Um caso de gravidez inesperada acabou em BO e a investigação já provocou mais de vinte depoimentos na busca de testemunhas do caso.
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A boa campanha das seleções africanas, principalmente Egito, Marrocos, Senegal e Cabo Verde tem gerado palpites sobre a grande final. A Copa poderá ter um campeão de origem e cultura africanas e muçulmanas: França.
Expulsão
A imprensa de Pindorama indignada com a FIFA por cancelar a expulsão de um norte-americano. Ora, ora, o bicampeonato do Brasil em 1962 veio com Garrincha em campo, mesmo tendo sido expulso na semifinal com o Chile.
De exemplo
O ex-boleiro Casagrande, cuja carreira foi fútil, bradou nas redes que Neymar não é exemplo para os jovens brasileiros, mesmo já sendo ídolo de uma juventude multinacional. A palavra de Casagrande tem a consistência de pó.
Remake
Em 5 de julho de 1982, a seleção brasileira caiu diante da Itália, em Barcelona, com 3 gols do artilheiro Paolo Rossi. Em 5 de julho de 2026, treinada por um italiano de Madrid, caiu diante da Noruega com 2 gols do artilheiro Haaland.
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