O Brasil não precisa escolher entre Estado e mercado. Pode fazer com que ambos trabalhem juntos e melhor. Essa é uma das lições das democracias que conseguiram crescer, reduzir desigualdades e ampliar oportunidades.
O desenvolvimento sustentável não nasce dos extremos. Ele termina com os extremistas. De direita ou de esquerda. O verdadeiro desenvolvimento nasce do equilíbrio, da capacidade de unir diálogo, respeito, eficiência econômica e compromisso social, em um mesmo projeto de país.
Durante décadas, o debate público brasileiro foi capturado por uma falsa divisão. De um lado, os que acreditam que o Estado deve assumir cada vez mais responsabilidades econômicas. De outro, os que imaginam que o mercado pode resolver sozinho todos os desafios sociais.
A realidade demonstra que nenhuma dessas visões, isoladamente, produz prosperidade duradoura. Extremistas amam o populismo e autoritarismo. E detestam eficiência e transparência. O Brasil precisa de um modelo liberal-social. Um formato que valorize a livre iniciativa, a segurança jurídica, a responsabilidade fiscal e a atração de investimentos, sem abrir mão da missão essencial do poder público de proteger os mais vulneráveis, ampliar oportunidades de trabalho e inclusão social.
Foi essa visão que colocamos em prática no governo de São Paulo. Em vez de aumentar o tamanho do Estado, optamos por aumentar sua eficiência. Em vez de transformar o governo em operador de atividades que poderiam ser executadas pelo setor privado, fortalecemos seu papel do Estado como planejador, regulador e fiscalizador. E concessionamos ao privado, o que ele faz melhor, do que o público.
Nesse período, realizamos o maior programa de concessões e parcerias da história do estado de São Paulo. Rodovias, ferrovias, hidrovias, metrô, parques e serviços públicos passaram a contar com investimentos privados, capazes de acelerar obras, modernizar estruturas e melhorar o atendimento à população. O objetivo foi ampliar a eficiência do Estado, reduzindo seu tamanho. Fico feliz aliás, em ver que meu sucessor, governador Tarcísio de Freitas, segue nesta direção.
Também compreendemos que atrair investimentos é uma política social. Entre 2019 e 2022, São Paulo recebeu mais de R$ 60 bilhões em investimentos externos. Isso significou mais empregos, renda, inovação e arrecadação para financiar serviços públicos de melhor qualidade.
Quando um país cria um ambiente de confiança, atrai mais investidores. E quem ganha é toda a sociedade. Essa experiência reforçou uma convicção: não existe política social forte sem economia forte. E não existe crescimento sustentável sem uma sociedade educada e qualificada para o trabalho.
Responsabilidade fiscal e responsabilidade social não competem entre si. Elas se complementam. O próximo presidente da República terá diante de sí a oportunidade de reconstruir pontes em um país cansado de polarização. O Brasil precisa de um governo capaz de ouvir a todos, sem discriminar ninguém. Um governo que dialogue com trabalhadores e empreendedores, com o setor produtivo e com a sociedade civil. Um governo que compreenda que o capital privado é parte da solução para os desafios nacionais. Mais do que discutir ideologias, precisamos discutir programas.
Mais do que ampliar divisões, precisamos construir pontes. O futuro pertence aos países que governarem com pragmatismo, responsabilidade e visão de longo prazo. É esse o caminho de um modelo liberal-social para o Brasil: um Estado eficiente, uma economia dinâmica e uma sociedade que tenha oportunidades para todos.
TENDÊNCIAS / DEBATES
Os artigos publicados com assinatura não traduzem a opinião do jornal. Sua publicação obedece ao propósito de estimular o debate dos problemas brasileiros e mundiais e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo.

