O governo de Donald Trump pediu às autoridades eleitorais de quatro estados nesta sexta-feira (17) que verifiquem os cadastros de eleitores em busca de pessoas que não sejam cidadãs americanas.
A solicitação foi feita um dia após o presidente fazer um pronunciamento em rede nacional repleto de teorias da conspiração em que atacou o sistema eleitoral do país e, sem apresentar provas, acusou a China de ter interferido no pleito de 2020, quando ele foi derrotado pelo democrata Joe Biden.
O secretário de Segurança Interna, Markwayne Mullin, escreveu em comunicado ter enviado uma carta aos secretários da Califórnia, Nova Jersey, Nevada e Pensilvânia, mencionando análises preliminares dos registros eleitorais desses estados.
O Departamento de Segurança Interna (DHS, na sigla em inglês) afirmou ter identificado mais de 250 mil possíveis não cidadãos americanos registrados de forma ilegal para votar nos quatro estados, mas não detalhou os critérios utilizados nem apresentou evidências que corroborassem os números divulgados.
Segundo a nota, Mullin solicitou que os secretários dos quatro estados respondessem em até duas semanas e confirmassem que trabalhariam em conjunto com o DHS para reforçar a segurança das eleições.
Em conversa com jornalistas, Mullin afirmou que autoridades eleitorais que não adotarem as medidas exigidas pela agência para “garantir a segurança” de seus pleitos poderão ser “responsabilizadas com multas, penalidades e até, dependendo da gravidade do caso, prisão”.
A principal autoridade eleitoral de Nevada rejeitou as afirmações de Mullin.
“Podemos afirmar que, à primeira vista, refutamos essas alegações”, escreveu o secretário Francisco Aguilar em um email. “Esses números são, na melhor das hipóteses, altamente especulativos, e o Departamento de Segurança Interna não compartilhou nenhuma informação que os sustente.”
Ele acrescentou que Nevada já forneceu ao DHS informações detalhadas sobre como o estado mantém sua lista de eleitores aptos a votar e quais salvaguardas existem para prevenir fraudes.
Nova Jersey, Pensilvânia e Califórnia não responderam aos pedidos de comentário sobre a carta do DHS.
Durante o pronunciamento de quinta, Trump defendeu o projeto conhecido como Save America Act, que prevê a exigência do documento de identidade com foto para votar e comprovante de cidadania americana para se registrar, além de obrigar os estados a compartilhar informações de registro eleitoral com o governo federal.
Democratas e defensores do direito ao voto afirmam que a fraude eleitoral é extremamente rara e argumentam que essa legislação suprimiria votos legítimos.
Trump tem pressionado os republicanos no Congresso a aprovar a proposta. Na noite de quinta, o republicano intensificou seus esforços para tornar a segurança eleitoral um tema central das eleições legislativas de novembro, as midterms, afirmando que a China interferiu na campanha presidencial de 2020.
Trump não apresentou provas, e uma avaliação da inteligência dos EUA já concluiu anteriormente não ter encontrado evidências que sustentem essa acusação.
Os republicanos enfrentam a possibilidade de perder uma ou ambas as Casas do Congresso nas eleições de novembro, enquanto a taxa de aprovação de Trump é impactada pela impopularidade da guerra com o Irã e pelos altos preços da energia.
Há anos Trump questiona os resultados das eleições de 2020. O presidente afirma, sem provas, que sua derrota para o democrata Joe Biden foi fraudada. Também diz que a votação pelo correio é sujeita a fraudes, que as máquinas de votação não são confiáveis e que a participação de não cidadãos nas eleições é disseminada.
Diversos tribunais e recontagens de votos não encontraram evidências de fraude em larga escala na eleição de 2020.
Durante suas declarações nesta sexta-feira, Mullin afirmou que a Agência de Segurança Cibernética e de Infraestrutura (Cisa, na sigla em inglês) divulgará um “plano atualizado para a infraestrutura eleitoral dentro de 30 dias”.

