Redação Tribuna do Norte
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00h11
Não cabe a este pobre cronista da vida banal duvidar do Google. Desde que chegou aos nossos olhos e ouvidos passou a ser o novo pastor e nada faltará. É tanto que afirma: “A arte da dissimulação é a técnica consciente de ocultar intenções, sentimentos ou verdades para proteger interesses, navegar em dinâmicas de poder ou evitar conflitos, sem necessariamente recorrer à mentira direta”. Convenhamos, é uma definição de largo espectro, com uma lógica de percepção.
Aliás, complementa de forma mais certeira ainda, quando faz uma distinção: “A simulação inventa o que não existe, enquanto a dissimulação esconde o que é real”. Talvez esteja aí, nessa magia de simular e dissimular, a grande qualidade que a política brasileira tem revelado desde que o banqueiro Daniel Vorcaro simulou e dissimulou um Brasil que se suspeitava, mas que vivia sob o fraque das nossas falsas elites, desde que as substituímos pelos magnatas dos cofres públicos.
Ninguém tenha enganos: simular e dissimular fazem parte da arte dos prestidigitadores que ainda hoje, e desde tempos os mais remotos, encantam nas ruas ou sob a empanada dos circos dos ricos ou dos pobremente mambembes. A realidade não basta à ambição. Daí ser natural o desprezo dos ambiciosos pelas coisas apenas legais. É da natureza deles o desejo de romper o limite, de ir além, bem além, o que é uma forma canhestra de ousadia, não da aventura, mas dos aventureiros.
Esse nariz de cera, tão de doze, é para elogiar a arte que chegou aos mais graves e austeros nichos de poder. Da dissimulação do ministro Alexandre de Morais, simulando ser uma vítima da perseguição vil por ter defendido, patrioticamente, a democracia da pátria. Ou como disse o jornalista João Filho, no blog ‘Caos e Paixão’, hóspede do Intercept Brasil, ao “falso cordeirinho do Supremo Tribunal Federal”, referindo-se ao ministro André Mendonça no seu novo golpismo.
O encontro do procurador geral da República, Rodrigo Janot, a quem o ministro Gilmar Mendes, na sua ira que pareceu santa de tanta indignação, e que disse ter sido apenas um encontro casual com Daniel Vorcaro, está ao seu lado numa fotografia no salão de um pub, em Londres. Ostenta um charuto, certamente um belo puro cubano a soltar suas baforadas em volutas azuis, como sofisticado hábito típico das mais finas aristocracias, jamais é vício, essa coisa de precários.
Certamente nem Eugène Ionesco, no seu Teatro do Absurdo, seria capaz de retratar com tanta força o caos da existência humana. Não seria criativo a ponto de imaginar a cena levada no palco do Superior Tribunal Federal na sessão que durou de manhã até o início da noite. Nunca os nossos atores da vida pública simularam tão bem a falsa verdade e dissimularam com tanta técnica a verdade que não podia ser reconhecida. O teatro retratou Brasília com toda e absoluta perfeição.
PALCO
DURA – Assessores de um lado e outro já não negam a dureza da disputa no eleitorado de Natal que parecia sob a liderança do ex-prefeito Álvaro Dias. A luta pode caminhar para um voto a voto.
ATAQUE – A ofensiva do marketing expondo intensamente o caso Dismed e os desvios apurados pela Polícia Federal, vai ser testado nas próximas pesquisas. Até agora não há efeito mais forte.
DÉCIMO – Cassiano Arruda lembra: o então deputado federal Aarão Eteinbruch atestou que teve o apoio do então senador Jessé Freire na aprovação do 13º salário, apesar da denúncia publicada.
MEMÓRIA – À época, não havia painel e registo nominal de voto e a aprovação foi difícil. O 13º, aprovado na Câmara Federal em 1959, só foi confirmado no Senado três anos depois, 1962.
REAÇÃO – Não se pode esquecer: as entidades patronais tomaram posição contrária e o senador Jessé Freire presidia a Confederação Nacional do Comércio. Com uma grande projeção nacional.
COMPRA – Está nas redes sociais e ninguém em nome de ninguém tentou contestar ou justificar até hoje: “Daniel Vorcaro tinha muito dinheiro, mas só comprou em Brasília quem estava à venda”.
POESIA – De Donizete Galvão, no seu poema ‘Milagre’, de ‘A Carne e o tempo’: “Tem de haver um porto, uma praça, / um caramanchão de rosas brancas, / uma sombra, uma moringa d’água”.
GRAVE – De Nino, o filósofo melancólico do Beco da Lama, olhando a troca de denúncias entre os candidatos: “A campanha está muito mais para Justiça Criminal do que para a Justiça Eleitoral”.
CAMARIM
HISTÓRIA – Vai ser amanhã, quarta-feira, a partir das 9h, no Museu Câmara Cascudo, a roda de conversa sobre a revista ‘Cigarra’ que circulou em cinco edições. A edição é virtual, bela sacada do editor José Correia, da editora ‘Caravela’. Uma revista que faz parte da história dos natalenses.
VALOR – No ranking que acaba de ser publicado pela revista Exame, o metro quadrado urbano de maior valor é o do Espírito Santo. Passou Itapema e o Balneário de Camburiú. No Nordeste, o mais valorizado agora é o de Maceió. São Paulo caiu para a sétima posição e o Rio para a décima.
ESTILO – Manejar bem as palavras só depende de que saiba fazê-lo. Sérgio Dávila, diretor de redação da Folha de S. Paulo, chamou a atenção para toda a diplomacia de linguagem na forma de noticiar os parceiros de negócios de Lulinha como lobista: “Comunhão de interesses econômicos”.
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