Redação Tribuna do Norte
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Vendedores de livros há muitos e a maioria sobrevive bem na boca do caixa, o que não é um pecado, mas serve para fixar a diferença entre vendedor e livreiro. E essa diferença ficou muito clara na crônica de Ruy Castro – ‘A morte do livreiro’ – quando faleceu aquele ele diz ter sido um dos últimos livreiros, de verdade, naquele Rio de Janeiro que teve os mais perfeitos livreiros deste país, inclusive a livreira-ícone, Dona Margareth Cardoso, da Livraria Kosmos.
Ruy Castro tem uma grande biblioteca de livros e revistas raras e, por isso, pode afirmar: “O melhor amigo de um leitor é um bom livreiro. Aquele que não só conhece o livro que você procura, mas, na falta deste, sabe indicar alternativas do mesmo autor ou de outro”. E continua, em seguida: “Não que tenha lido esses livros, mas o convívio com tantos deles, faz com que, pelos títulos, capas ou editoras, se torne um profissional a altura do produto com que trabalha”.
Tive o privilégio de conhecer alguns dos maiores livreiros do Rio, São Paulo, Porto Alegre e Recife. Sou do tempo que o próprio Eurico Brandão atendia na quase esquina da Praça Maciel Pinheiro, onde viveu, em Recife, parte da infância, a grande Clarice Lispector. Fiquei amigo de Líbano Calil, da grande Livraria Calil, em São Paulo, hoje administrada por sua filha. Chegou a ter um estoque de mais de trezentos mil volumes e um valioso acervo de obras raras.
Fui conhecer os livreiros da São José, uma das mais tradicionais do Rio, na companhia de Oswaldo Lamartine, amigo e frequentador da livraria no centro antigo do Rio. Devo a Dona Margareth, da Kosmos, o primeiro exemplar de ‘Alma Patrícia’, de Câmara Cascudo, e foi lá que fiquei sabendo: os originais de ‘O Príncipe Maximiliano no Brasil’, de Câmara Cascudo, foram encontrados por ela no meio de uma grande biblioteca particular adquirida pela Kosmos.
Fiquei impressionado, depois de um tempo convivendo em conversas para encomendas por telefone, com a Organização Nacional de Bibliotecas, a Ornabi, de Seu Luís, como todos tratavam aquele português de riso simpático e paciência sem fim naquele seu sebo gigante que ocupava três andares. Almoçamos numa mesa de ‘O Rei do Bacalhau’, que, para ele, fazia o melhor bacalhau de São Paulo. Conversamos até o meio da tarde, ele um saudoso de Portugal.
Ruy tem razão. Não há mais livreiros. Luiz Carlos, morto aos 66 anos, fundador da ‘Mar de Histórias’, foi retratado com perfeição na crônica, numa frase: “Quando morre um livreiro, são os livros os que mais perdem”. E há uma grande diferença, ainda segundo Ruy: “O livreiro comum conhece os livros que estão saindo. O de sebo conhece livros de todas as épocas”. Hoje é a Estante Virtual a guiar os vendedores de livros. Já os bons livreiros, não. Eles nos guiam…
PALCO
AVISO – O advogado e ex-deputado federal Augusto Carlos Garcia de Viveiros deixou o cargo de direção superior da Assembleia. E mais do que o Legislativo, perderam os seus servidores.
DOUTRINA – O livro do advogado Adilson Gurgel – “O Que é a Doutrina Social da Igreja’, é a mais importante obra já escrita nesta Aldeia sobre a luta em defesa das desigualdades sociais.
AINDA – Com prefácio do Arcebispo Dom João Santos Cardoso, esse primeiro volume cobre da questão operária ao Concílio Vaticano II. Mais do que um livro, é uma leitura indispensável.
PECADO – Sem vínculo com o banqueiro Daniel Vorcaro e sem temer o pecado, apesar de ser bispo evangélico, Edir Macedo adotava os mesmos métodos, segundo flagrou a Polícia Federal.
PERDIÇÃO – Do ‘Templo da Perdição’, na expressão de Vinícius Torres Freire, colunista da Folha, sem ocupar cargos públicos, Macedo manipulou uma fábula superior a R$ 670 milhões.
VENENO -O Sindicato dos servidores do Banco Central contratou Luana Piovani por R$ 300 mil para sua publicidade contra a PEC da autonomia do BC. A beleza, às vezes, é um veneno.
POESIA – Da poetisa argentina Alejandra Pizarnik, em ‘Os Trabalhos e as Noites’, no poema ‘Mendiga Voz’: “Em meu olhar eu perdi tudo. / É tão longe pedir. Tão perto saber que não há”.
PERIGO – De Nino, o filósofo melancólico do Beco da Lama, vendo a literatice vencendo a literatura nesta aldeia de Poti: “Intelectual é como político. Só concorda com notícias a favor”.
CAMARIM
JOGO – O recuo do STF reconsiderando parte dos penduricalhos, não garantiu só as vantagens. Agora, os juízes e procuradores fracionaram as férias, licença-prêmio e o recesso judiciário. Segundo a Folha de S. Paulo, eles terão 178 dias de férias. Mais da metade dos 365 dias do ano.
ENIGMA – Este junho de 2026 que acabou de passar marca os trinta anos do assassinado de PC Farias e sua namorada, Suzana Marcolino. A herança de PC é disputada na Justiça, mas, o mistério do assassinado daquela figura sombria ninguém ousou desvendar três décadas depois.
JAMAIS – O Comandante Fidel Castro, líder da Revolução de Sierra Maestra, na madrugada de dois de dezembro de 1956, há exatos setenta anos, reviveu esses dias nas declarações do ex-ministro da Cultura cubano: “Cuba jamais se renderá e, se tivermos que morrer, morreremos”.
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