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Proibiram as fogueiras de São João

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No último dia 24, comemoramos o Dia de São João Batista, uma das festas mais tradicionais do calendário católico, especialmente no Nordeste brasileiro. Como bem observou o professor Pedro Augusto, da Paraíba, cujo trabalho acompanho há muitos anos, a festa de São João destaca-se por marcar o nascimento do santo, e não a sua morte ou martírio, como geralmente ocorre.

Segundo o Evangelho de São Lucas, a mãe de João, Santa Isabel, prima de Nossa Senhora, engravidou em idade avançada, o que levou a jovem Maria, grávida de Jesus, a viajar até a aldeia de Isabel para ajudá-la durante os meses de gravidez. Sempre que rezamos os mistérios gozosos do terço, contemplamos essa linda história de fé. Quando Maria chegou à casa de Isabel, a prima disse:

“Bendita és tu entre todas as mulheres, e bendito é o fruto do teu ventre. Donde a mim esta dita, que a mãe do meu Senhor venha ter comigo? Porque, logo que a voz da tua saudação chegou aos meus ouvidos, o menino saltou de alegria no meu ventre.” (Lc 1, 42-44)

A tradição das fogueiras de São João também está ligada a esse episódio. Como Maria morava distante, Isabel teria avisado Maria sobre o nascimento de João por meio de sinais de fumaça.

Os homens do governo determinaram que o fogo anunciador de Isabel deve ser substituído por lâmpadas de led

Logicamente, o Estado jamais morreu de amores por essa tradição. O burocrata logo pensa: “Famílias que fazem fogueiras para celebrar um mistério da fé? Isso não pode ficar assim”.

Eis que as “otoridades encontraram a desculpa perfeita para acabar com essa história de fogueira junina durante a covid. Em 2020, o governo do Paraíba decretou que as fogueiras de festas juninas estavam suspensas enquantodurasse a pandemia. Fizeram o mesmo com as missas e a Eucaristia, lembram?

Chegamos a 2026, e o que aconteceu? Segundo informa o professor Pedro Augusto, o que era provisório virou definitivo: o Estado resolveu proibir as fogueiras em ambientes urbanos e pronto acabou. Famílias que há várias gerações mantinham o costume da fogueira de São João agora foram obrigadas a abandoná-lo, sob risco de sofrer as penas da lei. Doravante, se quiserem comemorar o São João em ambiente familiar, os paraibanos terão que fazer “fogueiras cenográficas” que “não soltam fumaça”.  Os homens do governo determinaram que o fogo anunciador de Isabel deve ser substituído por lâmpadas de led e papel celofane vermelho com ventilador. Ah, o Estado também estimula a delação de vizinhos que porventura desrespeitem a lei.

Aos desatentos, a proibição das fogueiras pode parecer um episódio menor e irrelevante. Mas, para quem sabe que o Estado nada mais é do que a “sistematização do processo predatório sobre um determinado território”, o caso revela a verdadeira dimensão do que os políticos e burocratas estão fazendo com o nosso país em todas as instâncias da vida: eles não querem apenas o seu dinheiro e a sua obediência; eles querem aquilo que você tem de mais precioso: a sua alma.

Amanhã, quando o Estado vier proibir a sua fé, lembre-se das fogueiras da Paraíba.

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