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“Pra se amostrar…” – Tribuna do Norte

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Redação Tribuna do Norte




00h11

Toda ostentação é pecado feio e sem perdão. Não a riqueza, se construída honestamente. Fica combinado, pois, que não se incluem os Vorcaros, esses tais símbolos condenáveis que dilaceram a dignidade de toda uma Nação. Por isso, foi interessante a leitura de um texto que pousou aqui expondo a nova tendência do mercado imobiliário: conceber a casa, outra vez, para ser saudável, um lugar de bem estar que o requinte chama de ‘wellness’, numa tradução livre para uma melhor compreensão.

Na linguagem dos falares, da oralidade brasileira e nordestina, a casa não precisa ser uma forma “pra amostrar a riqueza”. Como expõe o texto da Lumiére, ‘o imóvel do futuro terá menos ostentação e mais saúde, conforto e qualidade de vida”. O que fere, feitas as reservas de exceção, e seria injusto negar, são as concepções impostas nos últimos anos, os modelos artificiais. Aquela casa que sequer reflete a história e a personalidade dos moradores. Às vezes apenas uma gaiola enfeitada.

Não se contesta a legitimidade da decoração como atividade paralela à criação arquitetônica, desde que não perca a noção básica, e até antropológica, de que a casa é a morada humana e, por isso, há de refletir a história dos que lá vivem. A decoração, quase sempre, perde essa fronteira e estende quadros nas suas paredes e põe sobre as mesas objetos em absoluta dissintonia com os seus moradores que mais parecem ETs, seres estranhos no ninho, cercados do falso bom gosto por todos os lados.

E não nos faltam bons estudos. É definitivo e bem documentado sobre a vida no sertão colonial do Rio Grande do Norte o livro da arquiteta Nathália Diniz – ‘Um Sertão entre tantos outros’, Prêmio Odebrecht, 2015. Foi ao sertão mais profundo, entrou nos casarões, alguns em ruínas, ouviu as fontes vivas, consultor dados coloniais, vasculhou acervos públicos e privados, e nos legou um livro que não é só perfeito e bonito, é imprescindível. Mesmo tão esquecido pelos nossos estudiosos locais.

Em 1989, o arquiteto Carlos Lemos lançou seu ensaio ‘História da Casa Brasileira’. Em 1996, o Brasil traduziu o ensaio ‘Casa: Pequena História de uma Ideia’, do polonês Witold Rybczynski. Há dois anos, Rio, 2024, a editora Dantas, lançou a tradução de Alice Alberti Faria de um verdadeiro clássico moderno, a antevisão da casa como lugar saudável: ‘Filosofia da Casa, o espaço doméstico e a felicidade’, de Emanuele Coccia, titular da Escola de Altos Estudos em Ciências Sociais, Paris.

Ele vinca a sensibilidade do leitor: “A modernidade filosófica apostou tudo na cidade, mas o futuro do mundo não pode ser nada além de doméstico. Há de se pensar a casa: vivemos na urgência de fazer deste planeta um verdadeiro lar, ou melhor, fazer da nossa moradia um verdadeiro planeta, um espaço capaz de acolher tudo e todos”. Mas, aqui, sequer a arquitetura tem a visão crítica de que vivemos nos trópicos e nos pinta de preto, nos cerca com paredões metálicos e de vidros. Um horror.

PALCO

ACESAS – Estão mais acesas do que se imagina as investigações em torno das contas da Prefeitura de Mossoró na gestão Allyson Bezerra. Não há denúncia, mas está nos olhos focados do MP-RN.

LUTA – O ex-prefeito, hoje candidato a governador, sustenta seu não envolvimento, mas se houver demanda jurídica, esta pode ser deflagrada em plena campanha. O que não deixa de ser perturbador.

FORÇA – Assessores ligados ao ex-prefeito Álvaro Dias registram efeitos positivos depois do apoio do deputado Ezequiel Ferreira. No interior, sua liderança pode garantir um reforço nada desprezível.

PANCADA – Dura e desassombrada a manchete da primeira página na edição de ontem da Folha de S. Paulo. Foi esta: “Flávio Bolsonaro repete o pai e propaga falsidade sobre urnas e embaixadores”.

CENAS – As imagens de inundações provocadas pelas chuvas não refletem a gestão atual. Há mais meio século este repórter vem vendo, escrevendo e lendo as mesmas notícias. Até hoje nada mudou.

DATA-Não é, desta coluna, que o publicitário Alexandre Macedo, um vitorioso, recebe os parabéns. Mas o outro, aquele que sabe ser amigo dos amigos. Muita saúde para continuar seu bom combate!

POESIA – De Lêdo Ivo, versos do poema ‘Respiração’, como quem confessa esse pouco de se ser mais humano: “Não minto nem digo a verdade. / Sou como o vento que sopra / e a chuva que cai”.

ESPELHO -De Nino, o filósofo melancólico do Beco da Lama: “Algumas mulheres arrebitadas vivem como se perguntassem: “Ó Espelho, espelho meu, há alguém mais prepotente do que eu?”.

CAMARIM

JOGO – Em política, como na vida, a futurologia é fascinante. Um leitor desta coluna remeteu ainda cedo da manhã, o que dizem os astros: eleito governador Álvaro Dias, a sucessão na Assembleia tem conta certa: a união de forças do PL com o PSDB elege o presidente do Legislativo sem dificuldade.

CONTA – Pela mesma astrologia, os dois partidos chegarão ao plenário com os seis votos cada um. Para garantir metade mais um, e se o candidato for Walter Alves, a maioria estará consolidada. É futurologia, concorda o astrólogo, mas com um lastro apoiado numa lógica logicamente sustentável.

SINAL – As previsões passam, inevitavelmente, pela eleição de Álvaro. Mas antes de qualquer outra sinalização, a projeção ganhou corpo com a aliança de Ezequiel – Álvaro, selada com demonstração de força política. A chance só tem uma medida confiável: a urna. Há uma eleição inteira pela frente.

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