Por: Ana Claudia Paixão – via Miscelana
A Copa do Mundo de 2026 ganhará uma cobertura pouco convencional. O Porta dos Fundos anunciou “Aquele Campeonato”, programa que acompanhará os principais acontecimentos do torneio com uma combinação de humor, informação e cultura digital liderada por Tino Marcos, Marcelo Adnet, Rafael Saraiva, Valentina Bandeira e Leandro Ramos.
O projeto marca mais um passo da expansão do Porta para além dos tradicionais esquetes. Segundo Daniel Nascimento, diretor de conteúdo, a ideia é explorar novos formatos e dialogar com um dos maiores eventos de atenção coletiva do planeta a partir de uma perspectiva diferente da cobertura esportiva tradicional.
Mas o aspecto mais curioso do programa está justamente nas suas limitações. Sem os direitos oficiais da competição, a equipe decidiu transformar as restrições em parte da própria identidade da atração.
“Estamos comentando o maior evento do futebol mundial sem poder falar o nome do evento, sem mostrar a imagem e sem poder usar inclusive alguns termos oficiais da competição”, explicou Daniel durante coletiva de imprensa.
Foi dessa premissa que nasceu o título Aquele Campeonato. Em vez de tentar esconder a ausência de imagens ou de referências oficiais, o Porta dos Fundos resolveu incorporá-las ao conceito criativo do programa, usando justamente essas limitações como matéria-prima para as piadas.
Como será o programa
A atração será exibida três vezes por semana, sempre às segundas, quartas e sextas-feiras, ao meio-dia, acompanhando os acontecimentos do Mundial em tempo real.
A proposta é comentar jogos, bastidores, torcidas, comportamento, cultura e tudo o que movimenta o torneio, mas sem reproduzir o modelo tradicional das mesas-redondas esportivas.
“É uma mesa-redonda sem mesa”, resumiu Marcelo Adnet durante a apresentação.
Sem acesso às imagens oficiais, a equipe promete recorrer a soluções criativas para reconstruir os principais lances da competição.
“Como é que a gente mostra um gol sem ter a imagem? É no futebol de botão? É recriando um lance? De um jeito engraçado e divertido dentro do estúdio”, explicou Daniel.
Segundo Rafael Saraiva, a intenção não é competir com os programas especializados em análise tática, mas ampliar a conversa para aspectos humanos e culturais que cercam o futebol.
“A gente vai trazer isso, claro, porque isso é parte do evento, mas também abraçar as torcidas, os comportamentos, falar sobre o aspecto humano que envolve a competição”, afirmou.
A presença de Valentina Bandeira também ajuda a definir o tom do projeto. A humorista lembrou que passou os últimos anos trabalhando em coberturas esportivas sem necessariamente abordar apenas o jogo em si, observando temas paralelos que surgem ao redor de eventos globais.
“Tem muita coisa para falar, não só o futebol, mas tudo o que abrange um evento gigantesco como esse”, disse.
Onde assistir
“Aquele Campeonato” será exibido no canal do Porta dos Fundos no YouTube, também estará disponível na Porta TV e ganhará versão em áudio no Spotify. A produtora ainda prepara um canal específico de cortes, além da distribuição de trechos pelas redes sociais.
O programa contará ainda com participação da roteirista e influenciadora Joyce Miller na interação com o público e deverá receber convidados especiais ao longo do torneio. Embora os nomes ainda não tenham sido revelados, a equipe prometeu participações ligadas ao universo do esporte, do entretenimento e da cultura digital.
Tino Marcos vê alternativa ao modelo tradicional
Um dos momentos mais interessantes da coletiva surgiu quando o assunto deixou os gramados e passou para quem cobre o evento.
Questionado sobre a romantização da cobertura das Copas do Mundo, Tino Marcos falou sobre o desgaste que acompanha os profissionais enviados para acompanhar a seleção brasileira durante semanas.
Segundo o jornalista, que esteve presente em oito Mundiais, a realidade costuma ser bem diferente da imagem idealizada pelo público.
“O repórter não vê a Copa do Mundo”, afirmou. “Você vê de lado, porque está trabalhando o tempo todo. É muito desgastante.”
Tino lembrou que os profissionais normalmente produzem simultaneamente para televisão aberta, canais esportivos, plataformas digitais e redes sociais, muitas vezes sem acesso aos bastidores exclusivos que o público imagina existir.
A avaliação ajuda a explicar por que o convite do Porta dos Fundos chamou sua atenção.
Apesar de ter recebido outras propostas para trabalhar durante o Mundial, o jornalista disse que buscava algo que fosse diferente de tudo o que já havia feito ao longo da carreira.
“Eu vou adorar dormir na minha casa, poder ver os jogos da Copa do Mundo e ainda estar do lado desses caras maravilhosos”, brincou.
Para Adnet, a mudança de perspectiva também é parte do charme da atração.
“O nosso ponto de vista é o sofá”, resumiu o humorista. “A gente ama a Copa e quer assistir à Copa.”
Em um cenário no qual as mesas-redondas tradicionais disputam atenção com redes sociais, podcasts e criadores de conteúdo, o Porta dos Fundos aposta justamente naquilo que considera faltar à cobertura esportiva contemporânea: menos repetição, mais conversa e a liberdade de olhar para o maior evento do futebol mundial por um ângulo completamente diferente.

