O chefe do clima das Nações Unidas, Simon Stiell, afirmou nesta quarta-feira, 27, que a onda de calor que atinge a Europa é “um lembrete brutal” dos efeitos das mudanças climáticas. A declaração ocorre após recordes históricos de temperatura serem registrados em dois dias consecutivos no Reino Unido e na França, onde ao menos sete pessoas morreram por causas supostamente relacionadas ao calor. A primeira morte ocorreu no domingo, quando um homem passou mal durante uma corrida em Paris e não resistiu.
“A ciência é clara: as mudanças climáticas causadas pelo homem estão tornando essas ondas de calor mais frequentes e extremas”, advertiu Stiell. “Proteger vidas humanas, empresas e economias do calor extremo e dos muitos outros custos crescentes das mudanças climáticas é uma tarefa fundamental para todas as nações, e isso começa com o abandono muito mais rápido da dependência dos combustíveis fósseis.”
As altas temperaturas são causadas pelo afluxo de ar quente vindo do norte da África, que fica retido sob a alta pressão de um poderoso anticiclone. A mudança climática, segundo cientistas, também alimenta o “domo de calor”, uma vez que torna os fenômenos meteorológicos extremos mais intensos.
Na terça-feira 26, o índice de calor nacional da França, uma média de 30 medições em todo o país, atingiu 24,8°C, superando o recorde do dia anterior de 24,6°C. Em relatório, a Metéo-France afirmou que o país é assolado por “temperaturas excepcionais para a época registradas na maioria das regiões, por vezes em condições de calor sufocante”.
A agência meteorológica francesa também indicou que “as temperaturas máximas estão atingindo níveis muito altos para esta época do ano, de 10 a 15 graus ou até mais acima da média para o final de maio”. Trata-se de um pico “nunca antes” registrados em maio. A Europa está na primavera, com o verão tendo início apenas no final de junho. Alertas laranjas, o segundo pior nível, foram emitidos para 17 dos 96 departamentos administrativos da França para quinta-feira, 29, enquanto outros 29 estão sob alerta amarelo.
Em paralelo, também foi registrada uma temperatura recorde de 35,1°C nos Jardins Botânicos Reais de Kew, em Londres, na terça, segundo o Serviço Meteorológico do Reino Unido. Já na Espanha, onde os termômetros podem bater 40°C nesta semana, um alerta laranja foi emitido para o País Basco, uma comunidade autônoma que se estende do norte espanhol ao sudoeste francês.
“Tanto este episódio quanto o padrão atmosférico que o está causando fazem parte integrante das mudanças climáticas e do que vem sendo observado nos últimos anos”, afirmou Rubén del Campo, porta-voz da Aemet, a agência meteorológica da Espanha.

