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Plano safra 2026/2027: mais dúvida do que solução

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Redação Tribuna do Norte




01h23

Carlos Alberto de Sousa
Engenheiro agrônomo

Estamos às vésperas do anúncio pelo governo federal do Plano Safra 2026/2027 da agricultura brasileira, que tem início em 01/07/2026 e vigência até 30/06/2027.
Com juros nas alturas, exigências cada vez maiores dos agentes financeiros na contratação das operações em face da inadimplência recorde no crédito rural e com o governo alheio aos problemas do campo, focado na sua reeleição, as expectativas para o novo Plano Safra não são nada animadoras.

O Plano Safra, como política de suporte creditício ao setor agropecuário, não vem, nos últimos anos, cumprindo sua finalidade. São Planos repetitivos, que não inovam, a não ser pela multiplicação de programas e linhas de financiamento com novas nomenclaturas; taxas de juros balizadas pela Selic, a taxa básica de juros da economia, nesse momento de 14,25%, muito elevada para quem depende de financiamento agrícola; promessas de centenas de bilhões de recursos à disposição dos produtores, a quase totalidade à taxa de juros livres dos bancos, já que o governo não mais consegue bancar o subsídio necessário aos financiamentos para o setor, dentre outros problemas.

A taxa de juros do crédito rural ancorada na Selic é altamente perniciosa à agricultura brasileira porque além de consumir grande parte dos lucros do produtor, torna suas dívidas impagáveis, levando o governo a criar com frequência formas de minimizar o problema como a criação de novos programas de refinanciamento, de sucesso duvidoso, que apenas alongam os pagamentos, não equacionam o endividamento e deixam uma larga margem de produtores sem crédito. Nesse momento, mais um programa visando à redução do endividamento rural ainda está em discussão no Congresso Nacional, e até ser aprovado o governo já terá lançado o Plano Safra 2026/2027.

Por seu turno, a oferta de mais crédito a cada novo Plano, sem que se resolva a questão do endividamento que hora atinge o agronegócio brasileiro, soa como contrassenso, porque, na prática, produtores com dívidas junto aos bancos ficam impedidos de contrair novos financiamentos para suas explorações.
Além de todas essas questões, não há como esquecer também que o agro brasileiro convive neste momento com aumentos de custos de produção em face da elevação dos preços de insumos e fretes – caso dos fertilizantes e do petróleo –, devido às guerras da Ucrânia e do Irã, de cujo fornecimento somos altamente dependentes.

Na falta de medidas para solução desses entraves que dificultam a vida dos produtores rurais brasileiros que dependem do crédito rural, melhor seria deixar o lançamento do Plano safra 2026/2027 para outro momento.

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