Mais de 10 mil pessoas participaram neste sábado (27) da primeira edição da Parada do Orgulho LGBTQIA+ de Budapeste, capital da Hungria, após a derrota eleitoral do primeiro-ministro de ultradireita Viktor Orbán, que ficou 16 anos no poder.
Enfrentando o calor recorde na cidade, participantes carregavam enormes bandeiras do arco-íris e da União Europeia. Fanni Fajth, uma estudante de 18 anos, afirmou à agência de notícias Reuters que o clima estava mais otimista após a mudança política no país e que, agora, a comunidade tinha esperança de que direitos relacionados à adoção e ao casamento fossem alcançados.
A marcha do ano passado, que Orbán tentou proibir como parte de suas políticas que restringiam direitos LGBT+, transformou-se em uma manifestação em massa contra o governo, atraindo dezenas de milhares de pessoas. Mesmo vetado, o evento aconteceu graças ao prefeito de Budapeste, que encontrou uma brecha legal, e à forte pressão internacional. Foi a maior marcha do orgulho da história do país.
Orbán aprovou leis que proibiram a alteração de gênero em documentos pessoais, interromperam a adoção por casais do mesmo sexo e vetaram materiais escolares acusados de promover a homossexualidade ou a transição de gênero.
No cargo desde o início de maio, o conservador Péter Magyar dá sinais de que pode tratar o tema de forma diferente do antecessor —neste ano, a proibição contra a marcha foi revogada.
“A maior mudança é, na verdade, a mudança política no país”, afirmou Mate Tarnai, um químico de 51 anos. “Nós sentimos mais liberdade, e o ambiente no país está muito mais tranquilo do que no ano passado.” Tarnai também disse esperar que o governo de Magyar garanta direitos iguais.
Magyar, um conservador, pediu paciência quando foi questionado pela imprensa húngara sobre a possibilidade de alterar a legislação que restringiu os direitos da comunidade LGBT+.
Boglarka Boruzs, 23, intérprete e tradutora, afirmou que pessoas LGBT+ agora se sentem mais seguras e aceitas no dia a dia e que os políticos têm o poder de “fazer a sociedade entender que não há problema em ser gay”.

