InícioOpiniãoOs riscos do El Niño para a saúde - 19/07/2026 - Opinião

Os riscos do El Niño para a saúde – 19/07/2026 – Opinião

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Segundo a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica, agência federal dos Estados Unidos, é alto o risco de que o El Niño deste ano seja muito forte, a categoria mais elevada da escala.

Além disso, diante do aquecimento global intensificado pela queima de combustíveis fósseis, cientistas projetam que 2026 pode superar 2024 como o ano mais quente desde o século 19.

Assim, governos devem se preparar para eventos climáticos extremos, como temporais e estiagens severas, capazes de provocar enchentes, deslizamentos, falta de água potável e escassez de alimentos. São necessários aportes em urbanismo, meio ambiente, defesa civil, bombeiros e monitoramento de incêndios.

Além de investimentos em infraestrutura e fiscalização, o El Niño exige políticas preventivas e de logística na área da saúde. Em países como o Brasil, com o SUS sob pressão orçamentária, a atenção deve ser redobrada.

A Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) divulgou uma advertência regional. Ondas de calor e incêndios aumentam as chances de estresse térmico, desidratação, exaustão e agravamento de doenças cardiovasculares e respiratórias.

A combinação de altas temperaturas e chuvas favorece a reprodução de vetores transmissores de enfermidades como dengue, zika, chikungunya e malária. É necessário que União, estados e municípios se orientem pelo relatório da Opas, diferentemente do que ocorreu no passado.

Em 2023, a Organização Mundial da Saúde (OMS) emitiu dois alertas projetando números recordes de casos de dengue nas Américas em razão do El Niño que se formou naquele ano e perdurou até 2024. No âmbito federal, contudo, o Ministério da Saúde não estruturou adequadamente a rede básica de atendimento e protelou a autorização da vacina japonesa Qdenga.

Em 2024, mais pessoas morreram por dengue no país (5.873) do que a soma dos oito anos anteriores (4.992), segundo levantamento da Folha com base em dados do Datasus. Parte dessa tragédia poderia ter sido evitada com planejamento do poder público.

Ações integradas entre o Ministério da Saúde, estados e municípios devem ampliar os recursos para o atendimento ambulatorial, agilizar diagnósticos, e reforçar os estoques de vacinas. Também é preciso fortalecer a vigilância epidemiológica para doenças sensíveis ao clima e integrar informações meteorológicas e sanitárias a fim de antecipar riscos.

É inaceitável esperar pela tragédia anunciada.

editoriais@grupofolha.com.br

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