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ONU alerta para risco de fome em larga escala se Irã mantiver bloqueio do Estreito de Ormuz

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As Nações Unidas alertaram nesta terça-feira, 12, para o risco de uma crise humanitária global caso fertilizantes continuem sem autorização para atravessar o Estreito de Ormuz, uma das rotas comerciais mais estratégicas do planeta bloqueada pelo Irã desde o início da guerra, em 28 de fevereiro, quando Estados Unidos e Israel lançaram ataques contra o país.

O diretor executivo do Escritório das Nações Unidas de Serviços para Projetos (UNOPS) e líder de uma força-tarefa da ONU para monitorar a situação, Jorge Moreira da Silva, advertiu que o mundo tem apenas “algumas semanas” para evitar um cenário de fome em larga escala.

“Podemos presenciar uma crise que levará mais 45 milhões de pessoas à fome e à inanição”, afirmou o dirigente à agência de notícias AFP.

O alerta se concentra na interrupção do fluxo global de fertilizantes, insumo essencial para a produção agrícola. Cerca de um terço do comércio mundial de matérias-primas destinadas à fabricação de fertilizantes passa normalmente pelo Estreito de Ormuz, corredor marítimo entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã que se tornou um dos principais focos da atual crise no Oriente Médio.

Além de transportar aproximadamente 20% do gás natural comercializado no mundo — fundamental para a produção de fertilizantes nitrogenados — a região abriga alguns dos maiores polos industriais do setor. O Oriente Médio responde por quase metade do comércio global de enxofre, matéria-prima usada na fabricação de fertilizantes e produtos químicos industriais.

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Efeitos das tensões no Oriente Médio

A Organização Mundial do Comércio classificou os fertilizantes como a principal preocupação econômica do momento. Já a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) teme que um bloqueio prolongado provoque uma combinação explosiva de escassez agrícola, alta nos preços dos alimentos e colapso no abastecimento em países mais pobres.

Os efeitos da crise já começaram a aparecer no mercado internacional. O preço da ureia egípcia, referência global do setor, disparou mais de 60% desde o início do conflito regional, segundo dados da consultoria CRU Group.

A situação também ameaça diretamente a produção de alimentos. Cerca de metade da oferta mundial depende de fertilizantes nitrogenados sintéticos. Sem eles, a produtividade agrícola pode despencar, pressionando preços de produtos básicos como arroz, trigo, pão, batata e macarrão, além de encarecer a produção de carne e outros alimentos dependentes de ração animal.

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Os países mais vulneráveis são justamente aqueles com maior dependência de fertilizantes importados do Golfo. Índia, Bangladesh, Paquistão e Sri Lanka estão entre os mais expostos, assim como diversas nações africanas, como Malawi, Tanzânia, Uganda, Quênia e Sudão.

A ONU também demonstrou preocupação com o impacto do conflito sobre o ciclo agrícola global. Em países como Austrália e Índia, o bloqueio iraniano coincide com períodos cruciais de plantio, o que pode comprometer safras inteiras caso o abastecimento não seja normalizado rapidamente.

A atual crise no Estreito de Ormuz é consequência direta da escalada militar envolvendo Irã, Israel e Estados Unidos. O regime iraniano passou a restringir a circulação marítima na região como forma de pressão geopolítica em meio ao aumento das sanções ocidentais e da ofensiva militar conduzida por Washington e Tel Aviv.

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