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O verdadeiro valor dos relógios de Neymar e Messi não está no preço

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Por Tamara Lorenzoni

Sempre que um atleta como Neymar ou Lionel Messi aparece usando um relógio avaliado em milhões de reais, a repercussão costuma seguir um caminho previsível.

Fala-se em ostentação, extravagância ou demonstração de riqueza. Mas essa interpretação revela muito mais sobre quem observa do que sobre quem compra.

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Neymar e Lionel Messi costumam usar relógios avaliados em milhões de reais

Imagem: Reprodução

No universo da alta relojoaria, o valor de uma peça raramente está restrito ao seu preço. O que está em jogo é algo mais complexo: a capacidade de reunir história, excelência técnica, tradição artesanal e relevância cultural em um objeto que atravessa gerações.

Existe uma diferença importante entre consumir algo caro e reconhecer valor. O luxo genuíno nunca esteve associado apenas ao acesso financeiro. Ele está ligado ao repertório necessário para compreender por que determinado objeto se tornou desejado ao longo do tempo.

É por isso que algumas referências da relojoaria suíça alcançam um lugar muito particular dentro do patrimônio de famílias e colecionadores ao redor do mundo. Não porque nasceram como investimentos, mas porque foram capazes de construir significado, credibilidade e permanência.

Muitas pessoas se surpreendem ao descobrir que determinados relógios podem se valorizar depois de anos de uso. Embora isso aconteça em alguns casos, seria um equívoco enxergar a alta relojoaria apenas pela ótica financeira.

Antes de existir valorização, existe uma construção de décadas, às vezes de séculos. Existe uma manufatura reconhecida pela excelência. Existe escassez real. Existe um legado técnico e cultural que o mercado aprendeu a preservar.

O relógio se torna um ativo porque carrega um significado que continua sendo reconhecido ao longo do tempo.

Por isso, embora alguns modelos passem a ocupar espaço nas conversas sobre diversificação patrimonial, eles não substituem imóveis, participações empresariais ou aplicações financeiras. Exercem uma função diferente.

A alta relojoaria ocupa um território singular porque reúne atributos que raramente coexistem na mesma proporção: raridade, desejo global, liquidez internacional e relevância cultural.

Outro aspecto frequentemente mencionado é a portabilidade. De fato, poucos objetos concentram tanto valor em um espaço tão reduzido. Mas essa característica, sozinha, não explica a força desse mercado.

O que sustenta o valor de um relógio não é seu tamanho nem sua mobilidade. É a confiança. Procedência, autenticidade, documentação, estado de conservação, legitimidade histórica e reconhecimento entre especialistas e colecionadores são elementos que formam um ecossistema de credibilidade. E no mercado de luxo, confiança sempre vale mais do que preço.

Também existe uma tendência de associar essas aquisições a estratégias tributárias ou sucessórias. Embora esses fatores possam surgir em planejamentos patrimoniais mais amplos, eles raramente são o principal motivador da compra.

Quem realmente aprecia alta relojoaria costuma ser movido por outras razões.

Estamos falando de pessoas que conhecem manufaturas, compreendem a complexidade de um calibre, valorizam processos artesanais e reconhecem a inovação técnica presente em cada mecanismo.

Existe um capital cultural importante por trás desse mercado, algo que dificilmente pode ser reduzido a números.

Por isso, quando observo coleções como as de Neymar, Messi e tantos outros grandes nomes do esporte e dos negócios, não vejo apenas relógios caros.

Vejo objetos que materializam tempo, conhecimento e legado.

Talvez por isso eu nunca tenha gostado da definição que compara um relógio milionário a uma conta bancária de pulso. Ela simplifica um universo muito mais sofisticado.

A comparação mais próxima talvez seja com uma grande obra de arte.

Existem peças que atravessam décadas mantendo sua relevância porque carregam uma narrativa que continua fazendo sentido para o mercado, para os colecionadores e para a cultura.

No luxo, patrimônio não é apenas aquilo que vale muito. Patrimônio é aquilo cuja importância permanece. E poucas categorias representam tão bem essa ideia quanto a alta relojoaria.

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Imagem: Divulgação

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