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“O ponto forte hoje é transformar Natal através da tecnologia”, diz José Salibi Neto

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Redação Tribuna do Norte




17h00

Uma das maiores referências em gestão e liderança do País, José Salibi Neto, defende que o acesso ao conhecimento, à tecnologia e à inteligência artificial permite que empresas potiguares ganhem competitividade global sem sair de Natal| Foto: Divulgação

Fernando Azevêdo
Repórter

A transformação digital e a popularização das ferramentas de inteligência artificial romperam fronteiras, permitindo que o empresariado potiguar acesse estratégias de inovação globais sem precisar se deslocar para o eixo Rio-São Paulo, no Sudeste. Parte dessa nova dinâmica será discutida durante o evento corporativo C-Level Academy, que ocorre em Natal na próxima quarta-feira (10).

José Salibi Neto, 67, é um dos destaques da programação. O palestrante é uma das maiores referências em gestão e liderança no país e está vindo ao Rio Grande do Norte pela primeira vez. Ele já visitou diversos outros estados e países compartilhando suas ideias sobre gestão, liderança e inovação.

O C-Level Academy será realizado no Teatro Riachuelo e terá uma programação com foco em liderança, sustentabilidade organizacional, produtividade e networking empresarial qualificado.

Em entrevista à TRIBUNA DO NORTE, Salibi compartilhou sua visão sobre esses temas. Segundo ele, grandes líderes investem em conhecimento. “Só existe um fator que eleva o tipo de qualquer empresa: o conhecimento, o estudo contínuo”, afirma. “O que dirige qualquer estado e qualquer país é o nível de conhecimento que as pessoas têm”.

Tradicionalmente, o empresário potiguar se desloca aos grandes centros do Sudeste para acessar capacitação executiva de ponta. Qual é o impacto econômico imediato de trazer esse nível de debate, por meio do C-Level Academy, diretamente para Natal?
Acho importante. No fundo, o que dirige qualquer estado e qualquer país é o nível de conhecimento que as pessoas têm. Quanto mais conhecimento você tem, mais você melhora, o Estado melhora, a economia melhora, as coisas melhoram, as empresas melhoram. No fundo, é isso. Acho que, em qualquer lugar, um país ou uma empresa se move por conhecimento. Quanto mais conhecimento você tem, mais progresso vai acontecer. Eu nunca estive aí [na capital potiguar], mas eu tenho uma ligação com Natal muito forte. Fui uma das pessoas responsáveis pelo sucesso da Victoria Barros, que é uma das melhores tenistas do mundo e é potiguar. Ela tem 16 anos.

O senhor fundou uma empresa do zero e conviveu com os maiores gurus de gestão do mundo. Diante dessa bagagem, qual é o principal “ponto cego” que o senhor enxerga em empresas fora do eixo Rio-São Paulo, como as do Rio Grande do Norte, ao tentarem aplicar conceitos globais de inovação?
O ponto cego é procurar sair do Brasil e buscar conhecimento fora, e ver como empresas que estão no seu segmento estão fazendo as coisas. Empresas nos Estados Unidos, Israel, Europa e China, [por exemplo]. Eu sempre procurei buscar no exterior o conhecimento e ver a maneira de fazer as coisas para trazer para o Brasil. Acho que o ponto forte hoje é transformar Natal através da tecnologia, dando conhecimento de tecnologia para que as pessoas possam fazer esse salto de conhecimento e progresso.

O tecido empresarial do RN é composto, em sua maioria, por micro, pequenas e médias empresas nos setores de serviços, comércio, turismo, agro e indústria. Como traduzir conceitos mais globais para organizações que ainda enfrentam gargalos estruturais básicos de produtividade?
Hoje, com a tecnologia, qualquer empresa pode virar uma empresa global. Antes as empresas tinham limites de alcançar. Hoje, você vê as maiores empresas do mundo, que nem a Amazon, a Oracle e a Google… Essas empresas são baseadas em tecnologia. O bacana hoje é que antes você tinha uma barreira para ser uma empresa global, mas hoje você não tem. Basta você ter um conhecimento de tecnologia, inteligência artificial e algoritmos que você pode ser uma empresa global em diversos setores.

A retenção de talentos qualificados é um desafio crítico no Rio Grande do Norte. Quais competências de liderança são fundamentais para conter esta fuga de profissionais para o Sudeste e desenvolver equipes de alto desempenho localmente?
Investir no conhecimento, principalmente. Muitos desses profissionais acabam indo embora porque as organizações não dão para eles o conhecimento necessário, e através do conhecimento é que a sua empresa cresce para dar mais oportunidades. Só existe um fator que eleva o tipo de qualquer empresa: o conhecimento, o estudo contínuo. Com isso, as pessoas trabalham por duas razões: uma por razões financeiras, e a outra para crescer como pessoas. Não adianta, você não pode só pensar em salário; você tem que pensar no desenvolvimento da pessoa como um todo.

Depois do conhecimento, qual seria a segunda coisa mais importante?
A segunda coisa mais importante é você ter garra. Ter muita vontade de vencer, ter muita vontade de criar coisas, muita vontade de fazer diferente, muita vontade de trazer uma nova visão. E você pega, por exemplo, um estado como o Rio Grande do Norte, que tem algumas das praias mais bonitas do mundo. Muito do foco aí devia ser voltado para o turismo, fazendo o turista se sentir bem-vindo, dando segurança, desenvolvendo os serviços em volta [dessa atividade]. Vocês têm algumas vantagens importantes e podem ser desenvolvidas.

A inovação disruptiva exige um capital de risco que costuma ser escasso em mercados regionais. Qual é o caminho para o empresário local fazer uma transição segura por meio da inovação, sem asfixiar o caixa no curto prazo?
Antigamente, você precisava de grandes caixas para fazer inovação. Hoje, com a tecnologia, com o conhecimento, você consegue fazer as coisas diferentes com um custo mínimo. Você vê, por exemplo, a inteligência artificial. Olha quanto custa para você acessar praticamente todo o conhecimento da humanidade. Custa muito pouco. É mais uma questão de vontade, de estratégia, de colocar todo mundo na mesma página através desse conhecimento que antigamente estava guardado em algum lugar. Hoje, o conhecimento está disponível para nós. Você chega na inteligência artificial e fala assim: ‘olha, quero começar uma empresa no setor tal, em Natal. O que eu faço?’ A inteligência artificial vai falar o que você precisa fazer.

Criar uma das maiores empresas de educação executiva do mundo exige excelência operacional. Olhando para a cultura de gestão predominante no Nordeste, quais são os meios de liderança mais urgentes que os executivos locais precisam adotar para conseguir escala?
Uma disciplina feroz. Você vê que a China conseguiu se transformar. A China, há 40 anos, era uma das economias mais pobres do mundo. E eles, através do conhecimento, da tecnologia e da disciplina, conseguiram fazer isso [se transformar]. Assim, eu tenho que focar em três coisas: tecnologia, disciplina e desenvolvimento das pessoas. Com isso, o resto acontece.

Para os líderes e tomadores de decisão presentes no C-Level Academy, qual deve ser o “dia seguinte”? Qual é a primeira ação prática que o senhor recomenda para iniciar a transformação da gestão na manhã após a palestra?
Pegar um ou dois insights e aplicar no dia seguinte. Você não precisa fazer dez coisas. No máximo, duas coisas. Você passa no C-Level Academy e procura sair de lá com duas coisas para realmente aplicar no dia seguinte, porque não adianta nada ir lá, aprender um monte de coisas e não aplicar, não levar adiante.

Dos temas que o senhor vai contemplar em sua palestra, o que o senhor destaca?
Tem vários temas que eu falo, mas, especialmente, a turma da C-Level me convidou para falar sobre as perguntas transformadoras. Eu escrevi um livro chamado “A Arte de Fazer Perguntas Transformadoras: [Desbloqueie a inovação, acelere a transformação e potencialize os resultados do seu negócio]” (2025), que é um best-seller. Hoje, com toda a inteligência que nós temos, vivemos mais na era das perguntas do que das respostas. As respostas estão todas aí. O que vai fazer a diferença vai ser a qualidade da pergunta que você fizer. E é exatamente isso que eu vou falar. Estou muito ansioso, porque nunca estive em Natal. Estou muito feliz em poder ir.

QUEM

José Salibi Neto, 67, é cofundador da HSM e uma das maiores referências em gestão e liderança no país. Graduado pela Moore School of Business (EUA) e ex-tenista, conviveu por mais de duas décadas com os principais pensadores de negócios do mundo. É palestrante e coautor de 11 livros, incluindo os best-sellers “Gestão do Amanhã” (2018) e “A Arte de Fazer Perguntas Transformadoras” (2025).

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